domingo, agosto 12, 2012

Algum Lugar


Catarina se alvoroçou ao ver Plínio levantando de seu lado da cama. 

Havia três meses que aquele lugar era ocupado por um outro corpo com outro nome.

Plínio a viu abrir os olhos e sorriu. Por um instante, Catarina sentiu-se a mulher mais feliz do mundo. Foi só. Levantou-se apenas quando Plínio se despediu de longe com um aceno de mão e com o mesmo sorriso com que lhe acordara. Caminhou até a janela e sentou-se. Após alguns minutos foi sua vez de sorrir. E imaginou-se novamente só. Sentiu arderem suas espinhas. Começou a se vestir.

Atravessou um corredor fino e alongado, deu-se na porta. Ao abri-la, fechou os olhos. Novo arrepio. Sentiu o frio metal da maçaneta da porta e reconheceu seu corpo. Como se estivesse deixando um pequeno templo, um lugar que lhe fosse exclusivamente sacro, saiu do apartamento sem virar o rosto. 

Desceu sozinha onze andares de elevador. Apenas com os apitos discretos e luminosos dos números acompanhando o compasso de seus receios. Sentiu um sopro de vento ao parar da máquina. Do lado de fora, no saguão branco, liso e frio, caminhou até enxergar a luz da saída. A liberdade percorria-lhe as veias e artérias enquanto o primeiro raio de sol esquentava-lhe a face. Com o pé para fora, o silêncio. Novamente só.

Após segundos de um rompido de vida cegar-lha a vista, começou a caminhar. Sentiu-se, então, que encontrava-se a caminho daquela que, dentro de instantes, viria a ser sua casa, seu lar e que, há três meses, havia deixado de ser por um motivo que nem mesmo ela sabia dizer.

domingo, julho 29, 2012


segunda-feira, dezembro 19, 2011







"The Tourist"

It barks at no one else but me

Like it's seen a ghost
I guess it seen the sparks a-flowing
No one else would know

Hey man slow down, slow down

Idiot, slow down, slow down

Sometimes I get overcharged

That's when you see sparks
You ask me where the hell I'm going
At a thousand feet per second

Hey man slow down, slow down

Idiot slow down, slow down

Hey man slow down, slow down

Idiot slow down, slow down



by Radiohead






"Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós"
Manoel de Barros

terça-feira, julho 19, 2011

segunda-feira, junho 20, 2011


Carisma, arte, revolução.
Vá, John!
Está tudo aí.

sábado, junho 18, 2011

Amar é não ter.

quarta-feira, maio 04, 2011

"Destruidores do visual, amantes do rabisco, fazendo risco, ao mesmo tempo correndo risco"


Leonel, um pichador.

quarta-feira, abril 27, 2011





Mentalgassi.
Um coletivo de Berlim que faz das colagens obras de arte urbanas.
E nós, das cidades, agradecemos.
Vale visitar a residência.
Mais desse trabalho aqui.

quinta-feira, abril 21, 2011


Ela de novo.
Nossa Janis Joplin do ano 2026.
tUnE- yArDs.
No nome, na música, no corpo.

. . .

domingo, abril 10, 2011

Esta vinheta começou a ser exibida no Canal Futura exatamente no dia do acontecido.
Vejo-a, neste momento, como política. 
Posto ela aqui por isso.


Pela esperança no ser humano.
Acima de tudo.

quinta-feira, março 31, 2011

Acostumado a outros tipos de manifestos em comunidades violentas (ou às vezes às ausências deles), não consigo imaginar outra oportunidade mais cênica ou clara para que Leandro desse seu recado. Aliado à era internética em que o povo pode dizer mais (mas por incrível que pareça não tem reforço político), o palanque toma uma nova forma, cara a alguns. Seja qual for, ele ainda está aí.





Tirem suas próprias conclusões.

sexta-feira, março 11, 2011

"Você sacou a minha esquizofrenia
E maneirou na condução
Toda vez que eu errava você dizia pra eu me soltar porque você me conduzia
Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada
E no final achei tranquilo
Só sei dançar com você e isso é o que o amor faz"


Tulipa Ruiz

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

"Não estou triste. Minha única tristeza é que haja cada vez menos pessoas a quem eu possa dizer as razões de minha alegria, quando eu a tenho".

Lacan
"A que ponto do grupo identificar-se? Segundo entendo, ao ponto onde, com os outros me sei descompletado pelo real. Ao ponto onde, como os outros, estou no esforço de subjetivar esse real. Ao ponto em que, prisioneiros como somos, reconhecemos essa condição. Quando na borda do furo no saber, adverte-se de que não é sem os outros que tenho uma chance, lógica".

Mauricio Tarrab

domingo, fevereiro 20, 2011

Sim.

Não bastasse a quente e rica discussão sobre a pichação e sua relação com a arte, eis que surge ele, Banksy, com seu básico apelo audaz e seu documentário “Exit Through the Gift Shop”. O filme, sobre um imigrante francês em Los Angeles apaixonado com arte de rua, acreditem, está concorrendo ao Oscar de Melhor Documentário.

Não o vi.

Entretanto precisei, por um desejo forçosamente desleixado, destacar aqui uma de suas peripécias deste apelo último, ocorrido nesses dias aí. O Oscar é por agora. Alguns desses petardos, segundo informaram, já foram retirados (apagados eu não me autorizo dizer) das ruas  de L.A. (leia-se Hollywood) pelo governo local.

Vamos lá, Banksy. Desperte. Pergunte.

Pelo lugar que tu conseguistes, meu caro, seja ele qual for ou sejam eles diversos e subitamente repentinos e etéreos, meu voto, inválido mas sincero, já é seu.