domingo, dezembro 06, 2009

Nos meus 29 anos de existência, nunca imaginei que em um domingo estaria sentado, tenso, tomando uma cerveja e assistindo a um jogo de futebol.

Pois bem. Há sempre uma primeira vez. Diante da emoção dessa última rodada do Campeonato Brasileiro, não me contive.

E foi por pouco, muito pouco, que não deu o resultado para o qual torci.
Arrisco em dizer: no final do jogo no Maracanã, os jogadores do Grêmio pareciam comprados.
Penso isso porquê acompanho mais os bastidores do futebol brasileiro que os próprios jogos. E como somos o país mais corrupto do mundo, minhas indagações até que podem ter sentido, principalmente se alinhavadas com a minha frustração de ver o Flamengo campeão.

domingo, novembro 29, 2009

Essa é a nossa educação...

por Laerte.




quinta-feira, outubro 29, 2009

"Minha alma é uma orquestra oculta: não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia".

Fernando Pessoa

sábado, outubro 24, 2009



É embalado por minha primeira aula de fotografia que trago aqui esse belo registro. De Fernando, dos recortes de real que estou sempre à frequentar e cujas fotos sempre parecem ter o que dizer.

Vejo assim: um momento do movimento.
Para mim o melhor e mais singular uso da fotografia.

Tenho certeza de que, a partir de hoje, estarei a descobrir novos mundos...

segunda-feira, outubro 12, 2009

"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser".

Ricardo Reis

domingo, outubro 04, 2009

Por sua excêntrica beleza.
Por seu gesto.
Por sua virtuose.
Por sua interpretação.

Por ela.

Fecharei com este vídeo a sessão de posts sobre música. Não significa que deixarei este assunto livre das minhas divagações. Mas depois de assistir esse vídeo resta-me a reflexão.

Foi daqui, a dica. Um blog de poesia, cotidiano e sensações.

Neste momento, sem fôlego, digo-lhes: para vê-la, sentem-se e se conectem. São seis minutos de êxtase. É como se ela transmitisse em cada palavra e em cada nota a sensação de liberdade em seu mais puro sentido.

Sem mais,

Nina Simone
I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free

sábado, outubro 03, 2009

Um casal sueco, que se conhece em uma universidade. Ambos estudando improvisação em música, juntam-se, tanto no amor quanto no trabalho, e lançam talvez uma das coisas mais originais que escutei nestes últimos tempos.

Casamento perfeito entre ritmo (bateria) e melodia (voz).

Esta música é do segundo álbum deles, The Snake, e se chama "There is No Light". O nome da dupla, também muito criativo, é Wildbirds & Peacedrums.

E o vídeo, que posto aqui, deixa apenas mais emocionante o recado.

quarta-feira, setembro 30, 2009


Sempre gostei de ler pessoas que, ao escreverem, deixam algo no ar.
Como uma nuvem de casas prontas para receberem seus botões.

terça-feira, setembro 29, 2009

Pérola Internética!

domingo, setembro 20, 2009

"Como na música a razão é uma palavra que inúmeras vezes aflige e distorce... limito-me a dizer que um espírito musical anseia por coisas diferentes... melodias escondidas, um loop que seduz, um beat que se cola, um improviso que contagia, um ritmo que dá energia, uma voz que cura..."

Para mim, sempre um prazer falar de música.

Tudo bem. Admito estar um pouco sem inspiração. Posto alguns vídeos, trago dicas daquilo que me toca...
Mas acho tão difícil pôr em palavras o que a música me oferta.

São sensações.

Ontem vi a rouca Martnália cantando ao lado de Madeleine Peyroux com aquela ginga e doçura que só é dela. Imediatamente, ao escutar os primeiros sopros, sou tomado de uma paz. Um sorriso me escapa. E arrepio até o final da canção.

Não há palavras. Não há razão.

E neste post trago a dica
deste blog. De onde tirei o trecho acima. Às vezes ousamos e tomamos emprestado do outro algo que nos põe a dizer. Nele também há pouca coisa escrita, mas sempre novidades e boa música.

Pois é. Um convite às sensações, não?

Aqui vai o meu:

Silas The Magic Car
por Mew

quinta-feira, setembro 10, 2009

"Este ensaio é dedicado ao homem ordinário. Hérói comum. Personagem disseminada. Caminhante inumerável. Invocando, no limiar de meus relatos, o ausente que lhes dá princípio e necessidade, interrogo-me sobre o desejo cujo objeto impossível ele representa. A este oráculo que se confunde com o rumor da história, o que é que pedimos para nos fazer crer ou autorizar-nos a dizer quando lhe dedicamos a escrita que outrora se oferecia em homenagem aos deuses ou às musas inspiradoras?

Este herói anônimo vem de muito longe. É o murmúrio das sociedades. De todo o tempo, anterior aos textos. Nem os espera. Zomba deles. Mas, nas representações escritas, vai progredindo. Pouco a pouco ocupa o centro de nossas cenas científicas. Os projetores abandonaram os atores donos de nomes próprios e de brasões sociais para voltar-se para o coro dos figurantes amontoados dos lados, e depois fixar-se enfim na multidão do público. Sociologização e antropologização da pesquisa privilegiam o anônimo e o cotidiano onde zooms destacam detalhes metonímicos - partes tomadas pelo todo.

Lentamente os representantes que ontem simbolizavam famílias, grupos e ordens, se apagam da cena onde reinavam quando era o tempo do nome. Vem então o número, o da democracia, da cidade grande, das administrações, da cibernética. Trata-se de uma multidão móvel e contínua, densamente aglomerada como pano inconsútil, uma multidão de heróis quantificados que perdem nomes e rostos tornando-se a linguagem móvel de cálculos e racionalidades que não pertencem a ninguém. Rios cifrados da rua".

(Michel de Certeau, em A Invenção do Cotidiano)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Jô, sobre a escrita:

"Ela entra onde você não está"

segunda-feira, setembro 07, 2009

Música: Starstruck
Banda: The Low Frequency in Stereo

Ainda vou construir uma videoteca...




Conheci este garoto nesta semana.
Ele tinha 16 anos quando lançou seu CD. Seu nome: Vinícius. Sua arte: Yoñlu.
Um adolescente que, devorado pelos seus próprios pensamentos, escolhe ir-se.
Seu legado: um álbum versátil, poético, criativo e, ao mesmo tempo, adolescente.
Ele escreveu as letras, criou as melodias e desenhou toda arte do disco.
Um fenômeno.
Soube que lia Kafka aos 12 anos.

Em sua carta de despedida ele diz:

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’.

Que deixemos de lado, neste momento, os porquês e apreciemos sua arte. Esta, incontestável.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Concerto poema-sinfônico

Ontem foi o dia em que, pela segunda vez, pude apreciar um concerto. E posso dizer que me sinto agora um iniciante na cena musical erudita.

Há algum tempo adquiri o livro "O Resto é Ruído" de Alex Ross. Nele, o crítico de música da New Yorker aborda o cenário da composição clássica, com suas histórias e curiosidades de autores como Debussy, Mahler, Strauss e outros, relacionando-os com a música popular e contemporânea. Leio-o aos poucos. Aprendendo e me deliciando.

Para ler o livro, Ross sugere que acompanhemos sua envolvente descrição através de seu
site. Neste você pode acompanhar em áudio as partes as quais cita em seu livro das grandes óperas e composições de desde o início do século XX. Cada dissonante.

Pois bem, ganhei este presente, o concerto, de aniversário ontem. Mais uma prévia do que me aguarda o livro e o que ele oferece. Até mesmo para me fazer entender realmente do que se trata a música erudita.

E foi com uma peça de Richard Strauss - Dom Quixote - que Fábio Mechetti, o regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, me ensinou o que é reger. A emoção de cada instrumento, a intensidade de cada nota era ele quem comandava. Seus movimentos no palco eram como uma dança. Para quem estava na frente ainda pôde observar certos sorrisos que estampava no rosto no momento do concerto.





"Concerto poema-sinfônico" foi o nome que Mechetti deu a esta apresentação. Segundo ele, a obra de Miguel de Cervantes foi uma das que mais lhe marcou, enquanto filosofia de vida. Ele o cita: "A maior loucura que existe é ver o mundo como ele é, e não como deveria ser".

Belíssimo!

Obrigado, Fernando.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Traduzir-se

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Gullar

domingo, agosto 23, 2009








Genial!Lindo!

sábado, agosto 22, 2009

Há pouco tempo atrás mediei uma mesa-redonda sobre a educação inclusiva e a relação professor-aluno na universidade onde trabalho. Apresentei as debatedoras e iniciei a discussão com uma pequena nota introdutória que comentava de forma sucinta o filme "O Homem Elefante" de David Lynch.
Devido a essa nota, fui convidado para realmente fazer um comentário do mesmo filme no Fórum da Criança e do Adolescente da Regional Nordeste de BH. Era a primeira vez que me dispunha a tal atividade. E descobri que se apropriar de um pouco de arte para transmitir uma construção de nosso percurso é delicioso.
Tomado pela alegria do convite e da rica discussão gerada pelo próprio filme e pelo meu comentário, achei que seria bacana trazer para cá um pedaço da nota que me possibilitou essa experiência.
Eis:
"Para introduzir o assunto retomo aqui o filme “O Homem Elefante” de David Lynch. Nele, um rapaz, nos seus 20 e poucos anos, com uma deformação física muito grave (por isso a atribuição do apelido 'homem elefante') é veiculado enquanto uma atração do que conhecemos como Circo dos Horrores em plena Londres do século XIX. Um médico cirurgião o encontra em um dos espetáculos e, tomado com tal deformidade, resolve acolhê-lo no hospital que dirige na cidade inglesa. Lá, depois de um trabalho intenso cujo objetivo era aproximar-se da história daquele “ser”, o então Homem Elefante, passa a ganhar o status de sujeito. Todos passam a enxergá-lo enquanto um perfeito cavalheiro: bons modos, inteligente, educado e respeitoso. Seu sonho era conhecer o Teatro da cidade. Nunca sai às ruas, mas a sociedade passa a ir vê-lo no próprio hospital. Na cena final, em sua primeira ida ao Teatro, o agora John Merrick é aplaudido de pé quando homenageado pela atriz principal da peça que acaba de assistir.
Tomo esta história para pensarmos: tanto ocupando um lugar de quem causa espanto, asco, quanto do lugar de quem causa admiração e surpresa, a curiosidade, no caso do filme, parece atravessar constantemente a relação estabelecida entre o sujeito e o outro. Como uma pessoa tão deformada pode ser um perfeito cavalheiro? E Por quê não?
Essa curiosidade me leva a pensar que são duas formas de se tratar o diferente que nos causa surpresa: no rechaço ou no acolhimento. No acolhimento o sujeito aparece, no rechaço ele é apenas resto, puro objeto do olhar do outro. E é nesse ponto que penso uma analogia possível na relação professor-aluno: há o acolhimento, mas há também o rechaço. Ambos pela curiosidade. E se estivermos a fim de sabermos o que cada sujeito tem a nos oferecer ou a oferecer ao mundo, podemos saber de que forma ensiná-los. Para mim, um caminho possível".

terça-feira, agosto 18, 2009

Há poucos minutos atrás assisti a isto. Uma cena do filme "Não Por Acaso". Vi aqui. Um lugar que sempre visito, com prazer. E é dele que quero brevemente falar. Aliás, movido pela beleza da cena em questão.

Há alguns anos conheci a Dri e poucos contatos tive com ela. Poucos e ótimos, divertidos, como sempre ela é capaz de promover com qualquer um que lhe dirija a palavra.
Tempos depois de algumas sombras de encontros, fui ao seu casamento. Claro, sabia um pouco sobre Fernando e sobre o belo encontro nascido ali. O conheci lá. Melhor: o conheci onde moram. Numa casa inimaginavelmente linda onde o frio se faz presente em pleno verão mineiro. Nesse dia entendi o encontro. Um almoço com amigos. Fui recebido de braços arreganhados com uma lasanha digna de chef. Cerveja, vinho, muito papo, passeio no condomínio e um dia de sorrisos.

No dia do casamento fui embora radiante. Mesmo. Boa música, pessoas fantásticas, lugar paradisíaco e o diferencial: uma demonstração de amor como eu NUNCA antes havia presenciado. Saí tocado. Disse-lhes depois sobre essa sensação, inclusive.
E desde então, ainda com poucos encontros "reais" - mas encontros - passo a acompanhar via blogs, o carinho e o afeto de um pelo outro. Estes continuam irradiantes, presentes e marcantes.

Choro até agora como um menino que sente uma paixão pela primeira vez. É muito simples, Dri. Simples demais. E quando temos a certeza disso, tudo fica mais fácil e mais belo. Como na cena.

Quero dizer que por lapsos de timidez, talvez, não busque por essas companhias por mais vezes quanto gostaria. Mas uma coisa me sinto à vontade para dizer: que vocês, com o dom próprio de cada um, continuem a nos tocar com a simplicidade e o amor que fazem do nosso dia uma inspiração.

sábado, agosto 15, 2009

Junto à máxima de Tom Zé - "se os médicos persistirem, consulte o sintoma" - acrescenta-se a resposta de um taxista que, ao contar-me sobre sua tentativa de achar um remédio que o curasse da "gnorréia" - uma doença de zona segundo ele - admitiu ter dito ao seu médico:

- Vou te receitar esse remédio...
- Mas, doutor, ele não está adiantando nada!
- Quem é o médico aqui? Eu ou você?
- Você... Mas quem é o doente aqui? Eu ou você?

sexta-feira, agosto 14, 2009


quarta-feira, agosto 05, 2009

Adoro quadrinhos.
E Laerte é realmente genial.
Dica de um primo querido, cheguei até o blog dele.

domingo, agosto 02, 2009

Considerando metaforicamente o boneco da imagem do post abaixo como o próprio blog e a lua como o destino de minha incursão a praias do sul da Bahia nas duas últimas semanas (merecidamente após 1 ano e meio de trabalho constante e initerrupto), chego não sem saudade a este espaço que me borda para trazer aqui as imagens que me marcaram neste breve tempo de "suspensão". Digo "suspensão" porque é como se realmente você se deslocasse para tão longe que, como na lua, você conseguisse observar e contemplar com detalhes e tempo suficientes todos seus passos. Nesta viagem sem volta o que recolho pelo caminho é fundamental.

Foram 15 o número de dias que desfrutei de uma paz que a mim parecia inalcançável. E com ela aprendi a manejar minha relação com o tempo, estar atento à poesia que constantemente nos circunda e por uma distância curta a perdemos de vista e, principalmente, a contemplar. Disso, fica como produto as imagens. Do detalhe ao todo. Do próximo ao distante. Das cores. De tudo ao que elas me remetem. Tive a vontade de reuni-las aqui. Ajudado e inspirado nessas duas semanas pela presença de um amigo que possui uma imensa capacidade de recortar uma imagem tão bela e a capturá-la com a naturalidade que a ela é inerente (aliás, tenho a sorte de encontrar pelo caminho pessoas com essa qualidade que admiro) tive uma certeza: quero imergir no mundo da fotografia.

Fico, então, à vontade de me transmitir através delas aqui. Talvez essa seja a proposta.





















domingo, julho 05, 2009




Capa do disco Wait for Me do Moby.

domingo, junho 28, 2009

Mais uma vez, volto ao assunto dos dois posts anteriores.
Apenas para dizer que uma das coisas que fazem parte da minha rotina a dois é assistir ao programa Passagem Para..., do Canal Futura. E essa parte não faço questão de mudar. Pelo contrário, vai muito bem, obrigado.

Pois bem.
Vim aqui para dizer, na verdade, do programa.
Então: é um dos poucos que me faz deitar no sofá por 30 minutos em frente à televisão (os filmes - outro hobby - assisto ou no cinema ou na parede de casa com o projetor que bem foi adquirido já há algum tempo). Suas pautas são as viagens organizadas e conduzidas por um apresentador apaixonado por culturas diferentes e que encanta em sua transmissão. Seu nome: Luis Nashbin. Conheci boa parte da América Latina através do seu olhar. Ele filma, entrevista, apresenta e comenta. Sozinho.

E agora, para alegria dos que o acompanham ele criou um blog. E pelo que tudo indica o cuidado é o mesmo, tanto no que se escreve quanto nas outras coisas que se postam, isso se vê.

Portanto, deixo a dica:
Programa Passagem Para...
De segunda a sexta, às 23:00hs no Canal Futura

Ah! E o blog. Claro!
"O debate de hoje concernido, em particular, o laço sexual, desenrola-se, conforme foi previsto há trinta anos por Lacan, entre rotina e invenção".

Jacques-Alain Miller

Acabei de ler.
Nessas horas eu até chego a achar um pouco estranho essas coincidências.

sábado, junho 27, 2009

"Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você não liga se é usada
Todo carnaval tem seu fim
Todo carnaval tem seu fim
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz"

Veio a mim, há algumas horas, esse pedaço de poesia de Marcelo Camelo.
Porém, descobri que havia acrescentado uma frase que se encaixava, na verdade, em outra estrofe: "Pra que mudar?"
Ela apareceu a mim em meio a devaneios e profusões sobre o viver junto.
A poesia tem essa função, não? De nos ofertar a liberdade de tirarmos dela algum sentido para nós.
Resolvi considerá-la.
Porque dela extrai um sentido fundamental: mudar pode fazer parte sim de uma rotina.

domingo, junho 07, 2009

Apenas para fazer um adendo ao post anterior: foi meu primeiro post com título.
Também - pensei - pudera! Passei a tarde de ontem, durante algumas boas horas, a vasculhar um título para um livro de Psicologia e Direito que minha querida Aline está organizando. Eu e Jô, sempre companheira. Com direito a abrir uma página qualquer de dicionário na busca de inspiração.
Não conseguimos.
a adolescência

Este termo permeou minha semana de várias formas. Através de leituras de alguns textos, no acompanhamento e discussão de um caso na rede onde trabalho, da possível chegada de uma menina de 16 anos no meu consultório e até de um fragmento de idéia pescado numa palestra de Luis Eduardo Soares, sociólogo que admiro muito, sobre o "limite" - conceito que atravessa constantemente a lida com a adolescência - fragmento este que dizia que o limite só é possível quando acompanhado de uma valorização, de um acolhimento.

A questão da adolescência é algo que não está totalmente ao nosso alcance, mas cabe a nós ter o cuidado de escutá-la, dar-lhe voz. Nela está, ao meu ver, os indícios de uma busca desenfreada e às vezes desorganizada de um sujeito por um lugar no mundo.

Philippe Lacadée nos diz:

"Em busca simultânea por tutela e autonomia, o jovem experimenta seu estatuto de sujeito – para o melhor ou para o pior. Ele testa a fronteira entre o fora e o dentro, joga com as interdições sociais, estuda o seu lugar no seio de um mundo onde não se reconhece muito bem. Inapreensível para os outros e para si mesmo, inscreve a sua experiência, freqüentemente indizível, na ambivalência ou na provocação. Os limites simbólicos na relação com os outros e com o mundo se desenham onde ele experimenta a carência para dizer tudo de seu ser".

E sempre penso que podemos nós psicólogos, educadores, pais, avós, irmãos mais velhos, padrinhos... , em nossa presença, servir-nos a eles, na tentativa de que a construção desse lugar os coloque a se inscreverem do ponto do amor.

Nunca deixei de acreditar nisso.


domingo, maio 17, 2009

Fernanda Montenegro em entrevista à revista Bravo:

Os existencialistas teorizaram bastante sobre a liberdade humana. Diziam que "o homem será antes de mais nada o que deseja ser". Você concorda?
Concordo. Somos os senhores de nossos atos, de nossas opções. "Deus ajuda quem cedo madruga", ensina o ditado popular. Se o homem não inventar o seu próprio destino, Deus não irá interferir.

Você crê em Deus?
Ora acredito, ora desacredito. Ninguém me demonstrou a presença de Deus. Tampouco demonstrou o contrário. Eu talvez cultive uma fé imensa em meio à dúvida. Por outro lado, creio plenamente no acaso.

O homem nasce livre, mas o acaso tem a última palavra, dizia Simone.
Exato. O acaso se põe acima de qualquer teoria. É o grande mistério e a principal razão para a misericórdia. os homens deveriam se irmanar justamente porque se sujeitam, todos, às leis insondáveis do acaso. O que me fez entrar na Rádio MEC com 15 anos? O que me fez superar a timidez juvenil e concorrer às vagas de locutora e atriz? Foi o acaso, em parte. Havia a minha vontade e havia o imponderável. Se tomasse outro rumo naquela ocasião, em quem iria me transformar? Não sei. Sei apenas que hoje me encontro onde sempre quis. Vivi sem tempos mortos.

Isso, depois dela dizer o quanto Simone de Beauvoir - papel que interpreta em um monólogo que aguardo com muita expectativa chegar em B.H. - a influenciou em sua visão de mundo na década de 40 quando do lançamento de "O Segundo Sexo". Sábias da vida. Ambas.

quinta-feira, maio 14, 2009

Belo videoclip

segunda-feira, maio 11, 2009

Trabalhando em um programa do Estado, localizado dentro das comunidades de Belo Horizonte e região metropolitana, que tem como objetivo dar visibilidade ao que jovens destes locais, entre seus 12 e 24 anos, gostam de fazer ou se sentem curiosos a tal, me deparo com o grafite.

Me percebo envolvido com uma arte que antes para mim, era privilégios para poucos.
Talvez até apenas para eles próprios.

Mas quando comocei a cuidar de tratar a dar o olhar devido, notei que sempre merecia um lugar um pouco maior.

A idéia se concretizou, com muito gosto, na hora em que um oficineiro, parceiro bacana, trouxe a proposta de se pintar uma rua inteira de muros, portas de garagem e paredes de bar dentro de um aglomerado do bairro Alto Vera Cruz. Convocando vários desses jovens. Alguns que um pouco apareciam, outros mais escondidos por aí.

Certeiro.
Aos que "deram as caras", algo pôde se ofertar. Como isso:







sábado, maio 02, 2009

"A política é a continuação da guerra por outros meios"

Michel Foucault

quarta-feira, abril 29, 2009

"A distância e o esforço são diretamente proporcionais ao espaço localizado entre as mãos e as prateleiras".
É o que Cristiane Barreto, psicanalista e minha supervisora, escreve em seu texto sobre responsabilidade, juventude, psicanálise e cidade, ao dizer sobre o "traço hiper-moderno" cuja maior característica é a "satisfação imediata que impera no encontro dos sujeitos e dos objetos de consumo" na nossa contemporaneidade, diferentemente de épocas passadas em que reinavam os ideais.
Certeiro e instigante, acredito.

sexta-feira, abril 10, 2009

Não me canso de forma alguma de falar de música.

E o que trago aqui dessa vez é uma canção: bela, irônica e tão sincera (como são as crianças) que não poderia escapar de ser destacada neste blog. Fui extremamente tocado pela poesia da letra e da melodia. Como há tempos não havia sido.

Pois, escutemos.

Head Rolls Off
(Frightened Rabbit)

Jesus is just a spanish boy's name.
How come one man got so much fame?
To any me, it's pointless to anybody
That doesn't have faith
Give me the cloth and I'll wipe my face.

When it's all gone
Something carries on
And it's not morbid talk
Just the nature´s had enough of you
When my blood stops,
Someone else's will not.
When my head rolls off,
Someone else's will turn.
And while I'm alive, I'll make tiny changes to earth.

So you can burn me
Cause we'll all be the same, the same way
Dirt in someone's eyes cried down the drain
I believe in a house in the clouds
And God's got his dead friends 'round
He's painted all the walls red
To remind them they're all dead
And you know

When it's all gone
Something carries on
And it's not morbid talk
Just the nature's had enough of you.
When my blood stops
Someone else's will not.
When my head rolls off
Someone else's will turn.
You can mark my words, I'll make changes to earth
While I'm alive, I'll make tiny changes to earth
Tiny changes to earth
Tiny changes to earth

quinta-feira, abril 09, 2009





Descoberto aqui.

domingo, março 01, 2009

Costumo passar por blogs dos quais as freqüências de postagem são diversas. Tem uns que de três em três anos são atualizados. Outros, o espaço de tempo entre um post e outro varia de poucas horas a meses, até ano. Alguns não são atualizados desde a primeira vez em que o autor escreveu. Talvez desistiu de continuar. Mesmo assim não encerrou sua conta. Desses guardo um certo carinho e, ao mesmo tempo, uma esperança de que vou encontrar alguma coisa a cada dia que clico no endereço.

Devido a isso fui passear por este aqui. Espantei-me ao ver que seu início se deu em 2003. O meu caso se enquadra na segunda opção, talvez. Em 2007 postei apenas uma foto. Mas não sem sentido. Das pessoas que passaram por aqui, sinto saudades. Mas às vezes a passagem não se registra, penso eu. É o que faço, aliás. Passo por alguns. Em outros deixo meu registro. É uma conversa. E a conversa nem sempre necessita de um registro.

E talvez seja essa conversa, com ou sem registro, que me move a publicar sempre um novo post e a ler outros blogs.

sábado, janeiro 31, 2009

Descoberta II: "Quem sabe faz ao vivo"