segunda-feira, outubro 12, 2009

"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser".

Ricardo Reis

domingo, outubro 04, 2009

Por sua excêntrica beleza.
Por seu gesto.
Por sua virtuose.
Por sua interpretação.

Por ela.

Fecharei com este vídeo a sessão de posts sobre música. Não significa que deixarei este assunto livre das minhas divagações. Mas depois de assistir esse vídeo resta-me a reflexão.

Foi daqui, a dica. Um blog de poesia, cotidiano e sensações.

Neste momento, sem fôlego, digo-lhes: para vê-la, sentem-se e se conectem. São seis minutos de êxtase. É como se ela transmitisse em cada palavra e em cada nota a sensação de liberdade em seu mais puro sentido.

Sem mais,

Nina Simone
I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free

sábado, outubro 03, 2009

Um casal sueco, que se conhece em uma universidade. Ambos estudando improvisação em música, juntam-se, tanto no amor quanto no trabalho, e lançam talvez uma das coisas mais originais que escutei nestes últimos tempos.

Casamento perfeito entre ritmo (bateria) e melodia (voz).

Esta música é do segundo álbum deles, The Snake, e se chama "There is No Light". O nome da dupla, também muito criativo, é Wildbirds & Peacedrums.

E o vídeo, que posto aqui, deixa apenas mais emocionante o recado.

quarta-feira, setembro 30, 2009


Sempre gostei de ler pessoas que, ao escreverem, deixam algo no ar.
Como uma nuvem de casas prontas para receberem seus botões.

terça-feira, setembro 29, 2009

Pérola Internética!

domingo, setembro 20, 2009

"Como na música a razão é uma palavra que inúmeras vezes aflige e distorce... limito-me a dizer que um espírito musical anseia por coisas diferentes... melodias escondidas, um loop que seduz, um beat que se cola, um improviso que contagia, um ritmo que dá energia, uma voz que cura..."

Para mim, sempre um prazer falar de música.

Tudo bem. Admito estar um pouco sem inspiração. Posto alguns vídeos, trago dicas daquilo que me toca...
Mas acho tão difícil pôr em palavras o que a música me oferta.

São sensações.

Ontem vi a rouca Martnália cantando ao lado de Madeleine Peyroux com aquela ginga e doçura que só é dela. Imediatamente, ao escutar os primeiros sopros, sou tomado de uma paz. Um sorriso me escapa. E arrepio até o final da canção.

Não há palavras. Não há razão.

E neste post trago a dica
deste blog. De onde tirei o trecho acima. Às vezes ousamos e tomamos emprestado do outro algo que nos põe a dizer. Nele também há pouca coisa escrita, mas sempre novidades e boa música.

Pois é. Um convite às sensações, não?

Aqui vai o meu:

Silas The Magic Car
por Mew

quinta-feira, setembro 10, 2009

"Este ensaio é dedicado ao homem ordinário. Hérói comum. Personagem disseminada. Caminhante inumerável. Invocando, no limiar de meus relatos, o ausente que lhes dá princípio e necessidade, interrogo-me sobre o desejo cujo objeto impossível ele representa. A este oráculo que se confunde com o rumor da história, o que é que pedimos para nos fazer crer ou autorizar-nos a dizer quando lhe dedicamos a escrita que outrora se oferecia em homenagem aos deuses ou às musas inspiradoras?

Este herói anônimo vem de muito longe. É o murmúrio das sociedades. De todo o tempo, anterior aos textos. Nem os espera. Zomba deles. Mas, nas representações escritas, vai progredindo. Pouco a pouco ocupa o centro de nossas cenas científicas. Os projetores abandonaram os atores donos de nomes próprios e de brasões sociais para voltar-se para o coro dos figurantes amontoados dos lados, e depois fixar-se enfim na multidão do público. Sociologização e antropologização da pesquisa privilegiam o anônimo e o cotidiano onde zooms destacam detalhes metonímicos - partes tomadas pelo todo.

Lentamente os representantes que ontem simbolizavam famílias, grupos e ordens, se apagam da cena onde reinavam quando era o tempo do nome. Vem então o número, o da democracia, da cidade grande, das administrações, da cibernética. Trata-se de uma multidão móvel e contínua, densamente aglomerada como pano inconsútil, uma multidão de heróis quantificados que perdem nomes e rostos tornando-se a linguagem móvel de cálculos e racionalidades que não pertencem a ninguém. Rios cifrados da rua".

(Michel de Certeau, em A Invenção do Cotidiano)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Jô, sobre a escrita:

"Ela entra onde você não está"

segunda-feira, setembro 07, 2009

Música: Starstruck
Banda: The Low Frequency in Stereo

Ainda vou construir uma videoteca...




Conheci este garoto nesta semana.
Ele tinha 16 anos quando lançou seu CD. Seu nome: Vinícius. Sua arte: Yoñlu.
Um adolescente que, devorado pelos seus próprios pensamentos, escolhe ir-se.
Seu legado: um álbum versátil, poético, criativo e, ao mesmo tempo, adolescente.
Ele escreveu as letras, criou as melodias e desenhou toda arte do disco.
Um fenômeno.
Soube que lia Kafka aos 12 anos.

Em sua carta de despedida ele diz:

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’.

Que deixemos de lado, neste momento, os porquês e apreciemos sua arte. Esta, incontestável.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Concerto poema-sinfônico

Ontem foi o dia em que, pela segunda vez, pude apreciar um concerto. E posso dizer que me sinto agora um iniciante na cena musical erudita.

Há algum tempo adquiri o livro "O Resto é Ruído" de Alex Ross. Nele, o crítico de música da New Yorker aborda o cenário da composição clássica, com suas histórias e curiosidades de autores como Debussy, Mahler, Strauss e outros, relacionando-os com a música popular e contemporânea. Leio-o aos poucos. Aprendendo e me deliciando.

Para ler o livro, Ross sugere que acompanhemos sua envolvente descrição através de seu
site. Neste você pode acompanhar em áudio as partes as quais cita em seu livro das grandes óperas e composições de desde o início do século XX. Cada dissonante.

Pois bem, ganhei este presente, o concerto, de aniversário ontem. Mais uma prévia do que me aguarda o livro e o que ele oferece. Até mesmo para me fazer entender realmente do que se trata a música erudita.

E foi com uma peça de Richard Strauss - Dom Quixote - que Fábio Mechetti, o regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, me ensinou o que é reger. A emoção de cada instrumento, a intensidade de cada nota era ele quem comandava. Seus movimentos no palco eram como uma dança. Para quem estava na frente ainda pôde observar certos sorrisos que estampava no rosto no momento do concerto.





"Concerto poema-sinfônico" foi o nome que Mechetti deu a esta apresentação. Segundo ele, a obra de Miguel de Cervantes foi uma das que mais lhe marcou, enquanto filosofia de vida. Ele o cita: "A maior loucura que existe é ver o mundo como ele é, e não como deveria ser".

Belíssimo!

Obrigado, Fernando.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Traduzir-se

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Gullar

domingo, agosto 23, 2009








Genial!Lindo!

sábado, agosto 22, 2009

Há pouco tempo atrás mediei uma mesa-redonda sobre a educação inclusiva e a relação professor-aluno na universidade onde trabalho. Apresentei as debatedoras e iniciei a discussão com uma pequena nota introdutória que comentava de forma sucinta o filme "O Homem Elefante" de David Lynch.
Devido a essa nota, fui convidado para realmente fazer um comentário do mesmo filme no Fórum da Criança e do Adolescente da Regional Nordeste de BH. Era a primeira vez que me dispunha a tal atividade. E descobri que se apropriar de um pouco de arte para transmitir uma construção de nosso percurso é delicioso.
Tomado pela alegria do convite e da rica discussão gerada pelo próprio filme e pelo meu comentário, achei que seria bacana trazer para cá um pedaço da nota que me possibilitou essa experiência.
Eis:
"Para introduzir o assunto retomo aqui o filme “O Homem Elefante” de David Lynch. Nele, um rapaz, nos seus 20 e poucos anos, com uma deformação física muito grave (por isso a atribuição do apelido 'homem elefante') é veiculado enquanto uma atração do que conhecemos como Circo dos Horrores em plena Londres do século XIX. Um médico cirurgião o encontra em um dos espetáculos e, tomado com tal deformidade, resolve acolhê-lo no hospital que dirige na cidade inglesa. Lá, depois de um trabalho intenso cujo objetivo era aproximar-se da história daquele “ser”, o então Homem Elefante, passa a ganhar o status de sujeito. Todos passam a enxergá-lo enquanto um perfeito cavalheiro: bons modos, inteligente, educado e respeitoso. Seu sonho era conhecer o Teatro da cidade. Nunca sai às ruas, mas a sociedade passa a ir vê-lo no próprio hospital. Na cena final, em sua primeira ida ao Teatro, o agora John Merrick é aplaudido de pé quando homenageado pela atriz principal da peça que acaba de assistir.
Tomo esta história para pensarmos: tanto ocupando um lugar de quem causa espanto, asco, quanto do lugar de quem causa admiração e surpresa, a curiosidade, no caso do filme, parece atravessar constantemente a relação estabelecida entre o sujeito e o outro. Como uma pessoa tão deformada pode ser um perfeito cavalheiro? E Por quê não?
Essa curiosidade me leva a pensar que são duas formas de se tratar o diferente que nos causa surpresa: no rechaço ou no acolhimento. No acolhimento o sujeito aparece, no rechaço ele é apenas resto, puro objeto do olhar do outro. E é nesse ponto que penso uma analogia possível na relação professor-aluno: há o acolhimento, mas há também o rechaço. Ambos pela curiosidade. E se estivermos a fim de sabermos o que cada sujeito tem a nos oferecer ou a oferecer ao mundo, podemos saber de que forma ensiná-los. Para mim, um caminho possível".

terça-feira, agosto 18, 2009

Há poucos minutos atrás assisti a isto. Uma cena do filme "Não Por Acaso". Vi aqui. Um lugar que sempre visito, com prazer. E é dele que quero brevemente falar. Aliás, movido pela beleza da cena em questão.

Há alguns anos conheci a Dri e poucos contatos tive com ela. Poucos e ótimos, divertidos, como sempre ela é capaz de promover com qualquer um que lhe dirija a palavra.
Tempos depois de algumas sombras de encontros, fui ao seu casamento. Claro, sabia um pouco sobre Fernando e sobre o belo encontro nascido ali. O conheci lá. Melhor: o conheci onde moram. Numa casa inimaginavelmente linda onde o frio se faz presente em pleno verão mineiro. Nesse dia entendi o encontro. Um almoço com amigos. Fui recebido de braços arreganhados com uma lasanha digna de chef. Cerveja, vinho, muito papo, passeio no condomínio e um dia de sorrisos.

No dia do casamento fui embora radiante. Mesmo. Boa música, pessoas fantásticas, lugar paradisíaco e o diferencial: uma demonstração de amor como eu NUNCA antes havia presenciado. Saí tocado. Disse-lhes depois sobre essa sensação, inclusive.
E desde então, ainda com poucos encontros "reais" - mas encontros - passo a acompanhar via blogs, o carinho e o afeto de um pelo outro. Estes continuam irradiantes, presentes e marcantes.

Choro até agora como um menino que sente uma paixão pela primeira vez. É muito simples, Dri. Simples demais. E quando temos a certeza disso, tudo fica mais fácil e mais belo. Como na cena.

Quero dizer que por lapsos de timidez, talvez, não busque por essas companhias por mais vezes quanto gostaria. Mas uma coisa me sinto à vontade para dizer: que vocês, com o dom próprio de cada um, continuem a nos tocar com a simplicidade e o amor que fazem do nosso dia uma inspiração.

sábado, agosto 15, 2009

Junto à máxima de Tom Zé - "se os médicos persistirem, consulte o sintoma" - acrescenta-se a resposta de um taxista que, ao contar-me sobre sua tentativa de achar um remédio que o curasse da "gnorréia" - uma doença de zona segundo ele - admitiu ter dito ao seu médico:

- Vou te receitar esse remédio...
- Mas, doutor, ele não está adiantando nada!
- Quem é o médico aqui? Eu ou você?
- Você... Mas quem é o doente aqui? Eu ou você?

sexta-feira, agosto 14, 2009


quarta-feira, agosto 05, 2009

Adoro quadrinhos.
E Laerte é realmente genial.
Dica de um primo querido, cheguei até o blog dele.

domingo, agosto 02, 2009

Considerando metaforicamente o boneco da imagem do post abaixo como o próprio blog e a lua como o destino de minha incursão a praias do sul da Bahia nas duas últimas semanas (merecidamente após 1 ano e meio de trabalho constante e initerrupto), chego não sem saudade a este espaço que me borda para trazer aqui as imagens que me marcaram neste breve tempo de "suspensão". Digo "suspensão" porque é como se realmente você se deslocasse para tão longe que, como na lua, você conseguisse observar e contemplar com detalhes e tempo suficientes todos seus passos. Nesta viagem sem volta o que recolho pelo caminho é fundamental.

Foram 15 o número de dias que desfrutei de uma paz que a mim parecia inalcançável. E com ela aprendi a manejar minha relação com o tempo, estar atento à poesia que constantemente nos circunda e por uma distância curta a perdemos de vista e, principalmente, a contemplar. Disso, fica como produto as imagens. Do detalhe ao todo. Do próximo ao distante. Das cores. De tudo ao que elas me remetem. Tive a vontade de reuni-las aqui. Ajudado e inspirado nessas duas semanas pela presença de um amigo que possui uma imensa capacidade de recortar uma imagem tão bela e a capturá-la com a naturalidade que a ela é inerente (aliás, tenho a sorte de encontrar pelo caminho pessoas com essa qualidade que admiro) tive uma certeza: quero imergir no mundo da fotografia.

Fico, então, à vontade de me transmitir através delas aqui. Talvez essa seja a proposta.





















domingo, julho 05, 2009




Capa do disco Wait for Me do Moby.