segunda-feira, setembro 06, 2010

Agora, tornei-me adepto à surpresa do novo.
Quero tê-la comigo. Sempre.

sábado, setembro 04, 2010

"O processo de escrever é feito de erros - a maioria essenciais - de coragem e preguiça, desespero e esperança, de vegetativa atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada, não conduz a nada, e de repente aquilo que se pensou que era 'nada' era o próprio assustador contato com a tessitura de viver - e esse instante de reconhecimento, esse mergulhar anônimo na tessitura anônima, esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação) precisa ser recebido coma  maior inocência, com a inocência de que se é feito".

Clarice Lispector

terça-feira, agosto 03, 2010

"Ser original é voltar à origem".


Antoni Gaudí

domingo, agosto 01, 2010










quinta-feira, julho 08, 2010

Freud, dos bons conselheiros, sempre contingente, me ensinou hoje:

"Em última análise, precisamos amar para não adoecer"

sábado, junho 12, 2010



Agora, equipado, coloco-me a trabalho. Trabalho metonímico do olhar.
Obrigado, Ferdi.
"O que a Fotografia reproduz ao infitnito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente. Nela, o acontecimento jamais se sobrepassa para outra coisa: ela reduz sempre o corpus de que tenho necessidade ao corpo que vejo; ela é o Particular absoluto, a Contingência soberana, fosca e um tanto boba, o Tal (tal foto, e não a Foto), em suma a Tique, a Ocasião, o Encontro, o Real, em sua expressão infatigável".

Roland Barthes, inpirado em Lacan. Fragmento de "A Câmera Clara".

quinta-feira, junho 03, 2010

"Sentir o bebê se mexendo na barriga pela primeira vez, é como sentir uma borboleta batendo asas".

Palavras de uma amiga, mãe intensa e dedicada. E, não menos, certamente, poética.
Errata:

A foto abaixo é de Engenhoca, uma das belas praias escondidas de Itacaré, BA.

terça-feira, junho 01, 2010




sábado, maio 29, 2010

"Não dá para ninguém se safar de uma situação dizendo: - 'Ah, só se foi o meu inconsciente'"

Adorei.
Apenas um recorte daqui.

sábado, maio 22, 2010

Como lavar roupa preta

sexta-feira, maio 21, 2010

Não sei se é saudosismo - se for não me vanglorio disso, pois não gosto de quem vive muito do passado - mas tenho observado que uma das coisas mais bacanas que acontecem quando me percebo mais velho - autorizo-me a trocar "velho" por "experiente da vida" - é que tenho mais histórias para contar.

segunda-feira, maio 17, 2010




quinta-feira, maio 06, 2010

Tomei emprestado este fragmento de um novo blog, empesteado em seu início de palavras de uma escritora que é das minhas favoritas. Recomendo o blog, a simpatia de sua criadora e autora (segundo ela a proposta é que vários possam escrever por lá também) e a sabedoria de vida infinda de Clarice.

Vou além: aproveito para deixar uma singela homenagem a uma pessoa que até hoje passa pela minha vida deixando marcas e me ensinando o que é o encontro. Ela concretamente não diz, mas me faz escutar: a amizade passa, sim, pelo amor. Hoje é seu dia, Jô. Continuo desejando-lhe as melhores coisas do mundo.

"Nós, agentes disfarçados e distribuídos pelas funções menos reveladoras, nós às vezes nos reconhecemos. A um certo modo de olhar, a um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos e isto chamamos de amor. E então não é necessário o disfarce: embora não se fale, também não se mente, embora não se diga a verdade, também não é necessário dissimular. Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio, é uma condição concedida exclusivamente para aqueles que, sem ele corromperiam o ovo com a dor pessoal. Isso não faz do amor uma exceção honrosa; ele é exatamente concedido aos maus agentes, àqueles que atrapalhariam tudo se não lhes fosse permitido advinhar vagamente".

Clarice Lispector
"O Ovo e a Galinha"

sábado, maio 01, 2010

"Pode dizer-se contemporâneo apenas quem não se deixa cegar pelas luzes do século e consegue entrever nessas a parte da sombra, a sua íntima obscuridade. Com isso, todavia, ainda não respondemos a nossa pergunta. Por que conseguir perceber as trevas que provêm da época deveria nos interessar? Não é talvez o escuro uma experiência anônima e, por definição, impenetrável, algo que não está direcionado para nós e não pode, por isso, nos dizer respeito? Ao contrário, o contemporâneo é aquele que percebe o escuro do seu tempo como algo que lhe concerne e não cessa de interpretá-lo, algo que, mais do que toda luz, dirige-se direta e singularmente a ele. Contemporâneo é aquele que recebe em pleno rosto o facho de trevas que provém do seu tempo".

(Giorgio Agamben, O que é o contemporâneo?)

domingo, abril 25, 2010


Humberto Mundim, "O Gavião e a Gaiola"


domingo, abril 11, 2010

Caligrafia
Luciana Elaiuy

Escreva em letra miúda a sua sensação de grandeza.
Num muro, bilhete, na testa, no verbo da tristeza.
Mas escreva em letras miúdas para caber
entre os dentes da raiva, entre os tempos da pausa,
entre o peso e a alça, o desejo e a calça.
Nomeie seus instantes.
Para ler com clareza,
não é a letra que
precisa ser grande.

sábado, abril 10, 2010

Se minha Pentax fosse assim...



Idéia deste sujeito. Descoberta por nevegações nos mares de cá.

terça-feira, abril 06, 2010

Sempre fui dos que defendia a Praia do Morro, de Guarapari, de todos insultos dirigidos a ela. Frequento a praia há mais de 5 anos. Claro, é preciso dizer: escolho a época mais vazia e pego emprestado um belo apartamento no sexto andar de um prédio da orla, localizado ao final da praia, perto do morro, com uma vista invejosa. Desde então, descubro praias próximas desertas, vejo o mar colorido de azul e verde todas as manhãs, admiro a praia toda coberta por castanheiras e, não bastasse, fico sabendo que lá é considerado dos melhores lugares para mergulho submarino do Brasil, tanto pela biodiversidade marítima quanto pelos navios afundados em certos locais no mar para atrair tal tipo turismo.

Pois bem. Volto desse feriado triste e preocupado com certo descaso, pequeno talvez, mas não menos importante, dos que passam por lá em alta temporada.

Primeiro preciso ser sincero: não há muito o que fazer na cidade; não existem bons restaurantes; o único bar interessante na beira da praia é um self service que só funciona de 11:00hs às 15:00hs, deixando espaço apenas para pastelarias fedorentas e supermercados. Apesar de uma praia democrática em que frequentam "chefe e subordinado" (como escutei lá esses dias) e cerveja gelada (sempre!), não gosto das músicas tocadas, os atendimentos de alguns quiosques são grosseiros e, quando calor, é puro mormaço. Mas, acredite, reparei nisso apenas dessa vez que estive lá. E por bons motivos.

Louco para viajar e descansar, quebrar a rotina, tomo o rumo de Guarapari. Chego e me deparo com um formigueiro de pessoas que começam a pegar o resquício de sol que nos resta dos tempos nublados, mas sem chuva, às 7 da manhã. Carros-alto falantes tocando música ruim para quem quisesse e para quem não quisesse ouvir. Por aí tudo bem. O ponto alto de minha surpresa foi outro. Levanto cedo, caminho na praia desde o primeiro dia e começo a observar um comportamento que me enoja: lixos e mais lixos jogados, como se fosse uma calçada qualquer, boiando no mar ou fazendo-me desviar o caminho em plena areia da praia. A ponto de um cidadão abrir um picolé e simplesmente jogar a embalagem ao mar como se fosse uma grande cesta de lixo que, penso eu, aparenta-lhe que ele é o responsável para recolher os restos que tal cidadão produz. Uma amiga minha, em uma de nossas caminhadas, também indignada, chega a recolher três latas de cerveja, em frente a um rapaz que as consumia e jogá-las no tambor de lixo mais próximo. No penúltimo dia não entrei mais no mar. Não exagero. Era muito lixo. Mesmo vendo que no final de sábado, teoricamente último dia de praia cheia, apareceram quatro caminhões e um trator que recolheram à noite, os restos que o mar não abocanhou, senti-me traído.

Ok. Não pretendo fazer demagogia aqui. Algumas vezes me pego não dando exemplo algum de bom comportamento ambiental. O que interrogo é o hábito. Parecia que todos ali estavam alheios a qualquer discussão sobre a conservação de um bem natural, de um lugar que te acolhe em sua beleza e que lhe tem tanto a oferecer.
As pessoas não se envergonham? Não é um esforço tão grande assim. Uma simples sacola pode ser o suficiente para não depredar. Assumo que os moradores também não ajudam. O tempo inteiro mostraram-se complacentes com tal situação. Mas eu queria fazer algo. No entanto, percebi que era impotente, pequeno. A desconstrução de um hábito é algo complexo. Tem que ser feito com muita delicadeza e planejamento. O gesto de minha amiga, talvez por ter tido o efeito de um olhar curioso, era o que me restava pensar como uma saída digna.

Fui embora. Indignado, precisei escrever aqui. Traído, não falarei mais de Guarapari. Não como falava, beirando certa militância. Durante cinco anos desfrutei desse lugar com olhares apaixonados. Vivi momentos deliciosos. Faz parte de minha história. Talvez por isso, esteja tão triste.

Incrível é saber que, por obra do destino, pode ser minha última vez à Praia do Morro. O apartamento que me era emprestado vai ser alugado. Não queria que fosse assim. O que tentarei é preservar minha memória que é algo a meu alcance. Aliás, esta sim é uma ação pequena, é tarefa só minha. Porém, fica minha esperança de que um dia poderei voltar lá e desdizer tudo o que escrevi agora.