segunda-feira, fevereiro 21, 2011

"Não estou triste. Minha única tristeza é que haja cada vez menos pessoas a quem eu possa dizer as razões de minha alegria, quando eu a tenho".

Lacan
"A que ponto do grupo identificar-se? Segundo entendo, ao ponto onde, com os outros me sei descompletado pelo real. Ao ponto onde, como os outros, estou no esforço de subjetivar esse real. Ao ponto em que, prisioneiros como somos, reconhecemos essa condição. Quando na borda do furo no saber, adverte-se de que não é sem os outros que tenho uma chance, lógica".

Mauricio Tarrab

domingo, fevereiro 20, 2011

Sim.

Não bastasse a quente e rica discussão sobre a pichação e sua relação com a arte, eis que surge ele, Banksy, com seu básico apelo audaz e seu documentário “Exit Through the Gift Shop”. O filme, sobre um imigrante francês em Los Angeles apaixonado com arte de rua, acreditem, está concorrendo ao Oscar de Melhor Documentário.

Não o vi.

Entretanto precisei, por um desejo forçosamente desleixado, destacar aqui uma de suas peripécias deste apelo último, ocorrido nesses dias aí. O Oscar é por agora. Alguns desses petardos, segundo informaram, já foram retirados (apagados eu não me autorizo dizer) das ruas  de L.A. (leia-se Hollywood) pelo governo local.

Vamos lá, Banksy. Desperte. Pergunte.

Pelo lugar que tu conseguistes, meu caro, seja ele qual for ou sejam eles diversos e subitamente repentinos e etéreos, meu voto, inválido mas sincero, já é seu.



"Merda! Merda! Falta sangue! Vá fazer transfusão!"


Gregory por Patti
"Os poetas não terminam os poemas, eles os abandonam"


Paul Valéry apud Gregory Corso apud Patti Smith

sábado, fevereiro 19, 2011

Cáustico.
Poeta.
Luxo.
Lixo.
Yorke.

Arte.

Meus caros, sejam novamente bem vindos.


terça-feira, fevereiro 01, 2011



Direto de Los Angeles.
Lindas e sombrias.
Adoro.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

"O Brasil é tão diverso que nenhuma generalização se sustenta".

Luiz Eduardo Soares

domingo, dezembro 19, 2010

Da mudança, comprometo-me a falar menos que dizer.

Preocupar com as pontuações.
Sacar antes de safar.
Minimizar as exclamações, surpreender-me com as interrogações.
Sentir o aroma, o gosto.
Priorizar os travessões, predicar menos.
Dar mais espaço.
E, somente quando da contingência
e do ínfimo cálculo,
usar o ponto final.

E, aí, escrever.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Li-o três vezes. Seguidas.


Em todas, um suspiro, partindo de baixo percorrendo todo o corpo. Até sua força motriz abrir minha boca, num gesto infantil, e um grunhido de satisfação se permitir.

Acreditava em Maria. E em sua vontade aparecer.

Li mais uma vez.

Um sorriso em mim se deu, de soslaio.


“Maria anda como eu:
Impossibilitada de fazer
tudo o que quer.

Tem mãos amarradas,
ar de doente, olhar de demente,
cansada.

Maria vai acabar como eu:
covarde nas decisões,
amante das cousas indefinidas
e querendo compreender suicidas.

Maria vai acabar assim sem rumo,
andando por aí,
fazendo versos
e tendo acessos
nostálgicos.

Maria vai acabar bem tristemente.
De qualquer jeito,
lendo jornais,
tendo marido,
indefinido.

(Não sei por que Maria
quer compreender
muito, demais,
a vida de suicida.
E Maria vai acabar
se fartando da vida.)

A vida, coitada,
é camarada, gosta de Maria,
quer fazer Maria viver mais,
porque Maria é desgraçada.
Quer deixa-la para o fim,
assim à mostra,
e eu francamente não entendo
por que Maria não gosta
da vida."

Hilda Hilst
... de quando, aos vinte e pouco, entregou-se às palavras...

domingo, novembro 28, 2010











Não me canso.
Laerte.

quinta-feira, novembro 18, 2010

"É por isso que não me canso de dizer:
qualquer amor que possa receber e dar,
qualquer felicidade que possa receber ou fornecer,
cada breve gesto gentil,
qualquer coisa que funcione..."


Boris é quem proclama.
Mais um dos pseudônimos de Woody Allen.
Tudo pode mesmo dar certo?

Lema de Boris: qualquer coisa que funcione.
Ele mesmo diria se tratar de um cliché.

Whatever...

É vero, não?

domingo, outubro 24, 2010





A arte é mambembe. Ela provoca, ilumina, assusta, convoca, tenta explicar.
Quando se trata, em minha opinião, de arte de rua, então... É ali, onde qualquer coisa pode acontecer. Acreditava que nesta Bienal de São Paulo, a ousadia pudesse ter seu lugar, mas a arte, que não pode ser enquadrada, está ficando "quadrada".
Banksy nos ensina que o enquadre é do olhar. Mas acho que ele diz também do acontecimento.
O acontecimento enquadra.
Mas um enquadre mambembe. Flexível. Flácido. Cuja borda toma variadas formas. Talvez até mais de uma a cada vez. Sem se deixar escravizar pelo tempo.

A pichação também nos ensina um pouco isso. Aquele que escreve "por impulso" como dizem.
Ou por se ver ser visto pela cidade.

Talvez na rua, a arte toma outro rumo. Na rua, a informalidade é mais bem vinda, não? E aí o próprio acontecimento faz uma visita. Inesperada, na maioria das vezes.

Li que Baudelaire pensava que a arte ocupava um lugar entre o transitório, contingente e o eterno.
Ela definida ali não nos diz se a cada vez, a cada olhar ou a cada um, o traço muda.
Do autor, está inscrito. Do expectador, o traço vira experiência. Prova-se do traço.
Mas na pichação não se satisfaz.
Coloca-se o corpo em cena e deixa-se também se inscrever.
É arte? Não sei.
Mas tá ali.
E Banksy, um artista em sua essência, nos convoca a pensar que sendo arte ou não, ela causa. Fura a borda. Pois está sempre a querer refazê-la.

sexta-feira, outubro 08, 2010

"A burocracia sempre faz reinar um terrorismo"

Henri Lefebvre

domingo, setembro 26, 2010

"Santo de casa não faz milagre, faz repetir pecado.



Nascia ele menino. Fruto da história de no mínimo 3 gerações. Levando em consideração que vivia em um país novo. As cinzas do tempo, a poeira do vento. Tudo efêmero e não-efêmero. Riscos e rabiscos, de sua história mal contada. Ele mesmo balbuciava pouco, dizia poucas palavras. Alguns recursos. Pontos de chorar de soluçar. Crescia em ladeira íngreme. Passou a escrever. Porcos com Asas. O Diário Secreto de Laura Palmer. Ou nada lia.


Só escrevia quando quisesse. E queria. Mas não escrevia. Escrevia quando achava que queria".

a autoria: um encontro de amigos em um domingo.

segunda-feira, setembro 20, 2010

"Efêmera"

Tulipa Ruiz


Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo
Hoje é o tempo preu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto e que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço


Por isso eu vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho
Martelo o tempo preu ficar mais pianinho
com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras
e que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço


Vou ficar mais um pouquinho, eu vou
Vou ficar mais um pouquinho
para ver se acontece alguma nessa tarde de domingo
Vou ficar mais um pouquinho
para ver se eu aprendo alguma nessa parte do caminho
I want something good to die for
To make it beautiful to live.

sábado, setembro 18, 2010




Dos pocket shows surpreendentes à acolhida singular, não sem amor, de Tony Rodrigues, idealizador do Bistrô, temos este espaço. Se dar adeus às só sextas mais incríveis dos últimos anos é tocante, que carreguemos, ao menos, um pedaço de lá. Cada pedaço diz de uma história. E lá também acolhe-se a história de outros. Em cada peça e mais pedaços. A arte de receber. E bom que a história se inscreve. De cada um para cada outro em suas variadas formas.
Simplesmente imperdível.
Aqui, as informações mais redondas.

domingo, setembro 12, 2010

terça-feira, setembro 07, 2010

A Comunicação muda

O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão.

Clarice Lispector