domingo, março 14, 2010

Aprendi há pouco tempo que o verdadeiro presente é aquele que carrega em si algo de seu.
Aí, ganho um texto. Lido, grifado e estudado.
Quem me deu o fez por amor. Me deu mais um pedaço de si.
O texto é de um Freud sábio, após construir e viver cada etapa de uma vida influenciada pela busca de uma escrita da vida, uma escrita antes inabitável. E uma escrita que influenciou a humanidade em uma dimensão incogitável.
O texto é uma entrevista de 1926 dada ao jornalista americano George Sylvester Viereck, perdida nos arquivos da imprensa dos EUA e publicada em português nos anos recentes.

Conversei com alguns dos grifos.

"Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade";

"O trabalho é minha fortuna"

"O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós. A morte é a companheira do amor. Juntos eles regem o mundo"

"Compreender tudo não é perdoar tudo. A psicanálise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que devemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância para com o mal não é de maneira alguma um corolário do conhecimento"

"A maldade é a vingança do homem contra a sociedade pelas restrições que ela impõe"

Por fim:

" Não, eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores!"

quinta-feira, março 04, 2010

Uma advertência:

"O tempo é essa palavra única em que se depositam as experiências mais diferentes"

Maurice Blanchot

sábado, fevereiro 27, 2010



E tem gente que ainda diz que fotografia não é arte.
Pois é com este registro, de Baz Ratner, que abro os desassossegos de 2010.

A vida é muito mais simples do que achamos que ela pode ser...

domingo, dezembro 06, 2009

Nos meus 29 anos de existência, nunca imaginei que em um domingo estaria sentado, tenso, tomando uma cerveja e assistindo a um jogo de futebol.

Pois bem. Há sempre uma primeira vez. Diante da emoção dessa última rodada do Campeonato Brasileiro, não me contive.

E foi por pouco, muito pouco, que não deu o resultado para o qual torci.
Arrisco em dizer: no final do jogo no Maracanã, os jogadores do Grêmio pareciam comprados.
Penso isso porquê acompanho mais os bastidores do futebol brasileiro que os próprios jogos. E como somos o país mais corrupto do mundo, minhas indagações até que podem ter sentido, principalmente se alinhavadas com a minha frustração de ver o Flamengo campeão.

domingo, novembro 29, 2009

Essa é a nossa educação...

por Laerte.




quinta-feira, outubro 29, 2009

"Minha alma é uma orquestra oculta: não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia".

Fernando Pessoa

sábado, outubro 24, 2009



É embalado por minha primeira aula de fotografia que trago aqui esse belo registro. De Fernando, dos recortes de real que estou sempre à frequentar e cujas fotos sempre parecem ter o que dizer.

Vejo assim: um momento do movimento.
Para mim o melhor e mais singular uso da fotografia.

Tenho certeza de que, a partir de hoje, estarei a descobrir novos mundos...

segunda-feira, outubro 12, 2009

"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser".

Ricardo Reis

domingo, outubro 04, 2009

Por sua excêntrica beleza.
Por seu gesto.
Por sua virtuose.
Por sua interpretação.

Por ela.

Fecharei com este vídeo a sessão de posts sobre música. Não significa que deixarei este assunto livre das minhas divagações. Mas depois de assistir esse vídeo resta-me a reflexão.

Foi daqui, a dica. Um blog de poesia, cotidiano e sensações.

Neste momento, sem fôlego, digo-lhes: para vê-la, sentem-se e se conectem. São seis minutos de êxtase. É como se ela transmitisse em cada palavra e em cada nota a sensação de liberdade em seu mais puro sentido.

Sem mais,

Nina Simone
I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free

sábado, outubro 03, 2009

Um casal sueco, que se conhece em uma universidade. Ambos estudando improvisação em música, juntam-se, tanto no amor quanto no trabalho, e lançam talvez uma das coisas mais originais que escutei nestes últimos tempos.

Casamento perfeito entre ritmo (bateria) e melodia (voz).

Esta música é do segundo álbum deles, The Snake, e se chama "There is No Light". O nome da dupla, também muito criativo, é Wildbirds & Peacedrums.

E o vídeo, que posto aqui, deixa apenas mais emocionante o recado.

quarta-feira, setembro 30, 2009


Sempre gostei de ler pessoas que, ao escreverem, deixam algo no ar.
Como uma nuvem de casas prontas para receberem seus botões.

terça-feira, setembro 29, 2009

Pérola Internética!

domingo, setembro 20, 2009

"Como na música a razão é uma palavra que inúmeras vezes aflige e distorce... limito-me a dizer que um espírito musical anseia por coisas diferentes... melodias escondidas, um loop que seduz, um beat que se cola, um improviso que contagia, um ritmo que dá energia, uma voz que cura..."

Para mim, sempre um prazer falar de música.

Tudo bem. Admito estar um pouco sem inspiração. Posto alguns vídeos, trago dicas daquilo que me toca...
Mas acho tão difícil pôr em palavras o que a música me oferta.

São sensações.

Ontem vi a rouca Martnália cantando ao lado de Madeleine Peyroux com aquela ginga e doçura que só é dela. Imediatamente, ao escutar os primeiros sopros, sou tomado de uma paz. Um sorriso me escapa. E arrepio até o final da canção.

Não há palavras. Não há razão.

E neste post trago a dica
deste blog. De onde tirei o trecho acima. Às vezes ousamos e tomamos emprestado do outro algo que nos põe a dizer. Nele também há pouca coisa escrita, mas sempre novidades e boa música.

Pois é. Um convite às sensações, não?

Aqui vai o meu:

Silas The Magic Car
por Mew

quinta-feira, setembro 10, 2009

"Este ensaio é dedicado ao homem ordinário. Hérói comum. Personagem disseminada. Caminhante inumerável. Invocando, no limiar de meus relatos, o ausente que lhes dá princípio e necessidade, interrogo-me sobre o desejo cujo objeto impossível ele representa. A este oráculo que se confunde com o rumor da história, o que é que pedimos para nos fazer crer ou autorizar-nos a dizer quando lhe dedicamos a escrita que outrora se oferecia em homenagem aos deuses ou às musas inspiradoras?

Este herói anônimo vem de muito longe. É o murmúrio das sociedades. De todo o tempo, anterior aos textos. Nem os espera. Zomba deles. Mas, nas representações escritas, vai progredindo. Pouco a pouco ocupa o centro de nossas cenas científicas. Os projetores abandonaram os atores donos de nomes próprios e de brasões sociais para voltar-se para o coro dos figurantes amontoados dos lados, e depois fixar-se enfim na multidão do público. Sociologização e antropologização da pesquisa privilegiam o anônimo e o cotidiano onde zooms destacam detalhes metonímicos - partes tomadas pelo todo.

Lentamente os representantes que ontem simbolizavam famílias, grupos e ordens, se apagam da cena onde reinavam quando era o tempo do nome. Vem então o número, o da democracia, da cidade grande, das administrações, da cibernética. Trata-se de uma multidão móvel e contínua, densamente aglomerada como pano inconsútil, uma multidão de heróis quantificados que perdem nomes e rostos tornando-se a linguagem móvel de cálculos e racionalidades que não pertencem a ninguém. Rios cifrados da rua".

(Michel de Certeau, em A Invenção do Cotidiano)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Jô, sobre a escrita:

"Ela entra onde você não está"

segunda-feira, setembro 07, 2009

Música: Starstruck
Banda: The Low Frequency in Stereo

Ainda vou construir uma videoteca...




Conheci este garoto nesta semana.
Ele tinha 16 anos quando lançou seu CD. Seu nome: Vinícius. Sua arte: Yoñlu.
Um adolescente que, devorado pelos seus próprios pensamentos, escolhe ir-se.
Seu legado: um álbum versátil, poético, criativo e, ao mesmo tempo, adolescente.
Ele escreveu as letras, criou as melodias e desenhou toda arte do disco.
Um fenômeno.
Soube que lia Kafka aos 12 anos.

Em sua carta de despedida ele diz:

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’.

Que deixemos de lado, neste momento, os porquês e apreciemos sua arte. Esta, incontestável.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Concerto poema-sinfônico

Ontem foi o dia em que, pela segunda vez, pude apreciar um concerto. E posso dizer que me sinto agora um iniciante na cena musical erudita.

Há algum tempo adquiri o livro "O Resto é Ruído" de Alex Ross. Nele, o crítico de música da New Yorker aborda o cenário da composição clássica, com suas histórias e curiosidades de autores como Debussy, Mahler, Strauss e outros, relacionando-os com a música popular e contemporânea. Leio-o aos poucos. Aprendendo e me deliciando.

Para ler o livro, Ross sugere que acompanhemos sua envolvente descrição através de seu
site. Neste você pode acompanhar em áudio as partes as quais cita em seu livro das grandes óperas e composições de desde o início do século XX. Cada dissonante.

Pois bem, ganhei este presente, o concerto, de aniversário ontem. Mais uma prévia do que me aguarda o livro e o que ele oferece. Até mesmo para me fazer entender realmente do que se trata a música erudita.

E foi com uma peça de Richard Strauss - Dom Quixote - que Fábio Mechetti, o regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, me ensinou o que é reger. A emoção de cada instrumento, a intensidade de cada nota era ele quem comandava. Seus movimentos no palco eram como uma dança. Para quem estava na frente ainda pôde observar certos sorrisos que estampava no rosto no momento do concerto.





"Concerto poema-sinfônico" foi o nome que Mechetti deu a esta apresentação. Segundo ele, a obra de Miguel de Cervantes foi uma das que mais lhe marcou, enquanto filosofia de vida. Ele o cita: "A maior loucura que existe é ver o mundo como ele é, e não como deveria ser".

Belíssimo!

Obrigado, Fernando.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Traduzir-se

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Gullar

domingo, agosto 23, 2009








Genial!Lindo!