sábado, setembro 18, 2010




Dos pocket shows surpreendentes à acolhida singular, não sem amor, de Tony Rodrigues, idealizador do Bistrô, temos este espaço. Se dar adeus às só sextas mais incríveis dos últimos anos é tocante, que carreguemos, ao menos, um pedaço de lá. Cada pedaço diz de uma história. E lá também acolhe-se a história de outros. Em cada peça e mais pedaços. A arte de receber. E bom que a história se inscreve. De cada um para cada outro em suas variadas formas.
Simplesmente imperdível.
Aqui, as informações mais redondas.

domingo, setembro 12, 2010

terça-feira, setembro 07, 2010

A Comunicação muda

O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão.

Clarice Lispector

segunda-feira, setembro 06, 2010

Agora, tornei-me adepto à surpresa do novo.
Quero tê-la comigo. Sempre.

sábado, setembro 04, 2010

"O processo de escrever é feito de erros - a maioria essenciais - de coragem e preguiça, desespero e esperança, de vegetativa atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada, não conduz a nada, e de repente aquilo que se pensou que era 'nada' era o próprio assustador contato com a tessitura de viver - e esse instante de reconhecimento, esse mergulhar anônimo na tessitura anônima, esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação) precisa ser recebido coma  maior inocência, com a inocência de que se é feito".

Clarice Lispector

terça-feira, agosto 03, 2010

"Ser original é voltar à origem".


Antoni Gaudí

domingo, agosto 01, 2010










quinta-feira, julho 08, 2010

Freud, dos bons conselheiros, sempre contingente, me ensinou hoje:

"Em última análise, precisamos amar para não adoecer"

sábado, junho 12, 2010



Agora, equipado, coloco-me a trabalho. Trabalho metonímico do olhar.
Obrigado, Ferdi.
"O que a Fotografia reproduz ao infitnito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente. Nela, o acontecimento jamais se sobrepassa para outra coisa: ela reduz sempre o corpus de que tenho necessidade ao corpo que vejo; ela é o Particular absoluto, a Contingência soberana, fosca e um tanto boba, o Tal (tal foto, e não a Foto), em suma a Tique, a Ocasião, o Encontro, o Real, em sua expressão infatigável".

Roland Barthes, inpirado em Lacan. Fragmento de "A Câmera Clara".

quinta-feira, junho 03, 2010

"Sentir o bebê se mexendo na barriga pela primeira vez, é como sentir uma borboleta batendo asas".

Palavras de uma amiga, mãe intensa e dedicada. E, não menos, certamente, poética.
Errata:

A foto abaixo é de Engenhoca, uma das belas praias escondidas de Itacaré, BA.

terça-feira, junho 01, 2010




sábado, maio 29, 2010

"Não dá para ninguém se safar de uma situação dizendo: - 'Ah, só se foi o meu inconsciente'"

Adorei.
Apenas um recorte daqui.

sábado, maio 22, 2010

Como lavar roupa preta

sexta-feira, maio 21, 2010

Não sei se é saudosismo - se for não me vanglorio disso, pois não gosto de quem vive muito do passado - mas tenho observado que uma das coisas mais bacanas que acontecem quando me percebo mais velho - autorizo-me a trocar "velho" por "experiente da vida" - é que tenho mais histórias para contar.

segunda-feira, maio 17, 2010




quinta-feira, maio 06, 2010

Tomei emprestado este fragmento de um novo blog, empesteado em seu início de palavras de uma escritora que é das minhas favoritas. Recomendo o blog, a simpatia de sua criadora e autora (segundo ela a proposta é que vários possam escrever por lá também) e a sabedoria de vida infinda de Clarice.

Vou além: aproveito para deixar uma singela homenagem a uma pessoa que até hoje passa pela minha vida deixando marcas e me ensinando o que é o encontro. Ela concretamente não diz, mas me faz escutar: a amizade passa, sim, pelo amor. Hoje é seu dia, Jô. Continuo desejando-lhe as melhores coisas do mundo.

"Nós, agentes disfarçados e distribuídos pelas funções menos reveladoras, nós às vezes nos reconhecemos. A um certo modo de olhar, a um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos e isto chamamos de amor. E então não é necessário o disfarce: embora não se fale, também não se mente, embora não se diga a verdade, também não é necessário dissimular. Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio, é uma condição concedida exclusivamente para aqueles que, sem ele corromperiam o ovo com a dor pessoal. Isso não faz do amor uma exceção honrosa; ele é exatamente concedido aos maus agentes, àqueles que atrapalhariam tudo se não lhes fosse permitido advinhar vagamente".

Clarice Lispector
"O Ovo e a Galinha"

sábado, maio 01, 2010

"Pode dizer-se contemporâneo apenas quem não se deixa cegar pelas luzes do século e consegue entrever nessas a parte da sombra, a sua íntima obscuridade. Com isso, todavia, ainda não respondemos a nossa pergunta. Por que conseguir perceber as trevas que provêm da época deveria nos interessar? Não é talvez o escuro uma experiência anônima e, por definição, impenetrável, algo que não está direcionado para nós e não pode, por isso, nos dizer respeito? Ao contrário, o contemporâneo é aquele que percebe o escuro do seu tempo como algo que lhe concerne e não cessa de interpretá-lo, algo que, mais do que toda luz, dirige-se direta e singularmente a ele. Contemporâneo é aquele que recebe em pleno rosto o facho de trevas que provém do seu tempo".

(Giorgio Agamben, O que é o contemporâneo?)

domingo, abril 25, 2010


Humberto Mundim, "O Gavião e a Gaiola"


domingo, abril 11, 2010

Caligrafia
Luciana Elaiuy

Escreva em letra miúda a sua sensação de grandeza.
Num muro, bilhete, na testa, no verbo da tristeza.
Mas escreva em letras miúdas para caber
entre os dentes da raiva, entre os tempos da pausa,
entre o peso e a alça, o desejo e a calça.
Nomeie seus instantes.
Para ler com clareza,
não é a letra que
precisa ser grande.

sábado, abril 10, 2010

Se minha Pentax fosse assim...



Idéia deste sujeito. Descoberta por nevegações nos mares de cá.

terça-feira, abril 06, 2010

Sempre fui dos que defendia a Praia do Morro, de Guarapari, de todos insultos dirigidos a ela. Frequento a praia há mais de 5 anos. Claro, é preciso dizer: escolho a época mais vazia e pego emprestado um belo apartamento no sexto andar de um prédio da orla, localizado ao final da praia, perto do morro, com uma vista invejosa. Desde então, descubro praias próximas desertas, vejo o mar colorido de azul e verde todas as manhãs, admiro a praia toda coberta por castanheiras e, não bastasse, fico sabendo que lá é considerado dos melhores lugares para mergulho submarino do Brasil, tanto pela biodiversidade marítima quanto pelos navios afundados em certos locais no mar para atrair tal tipo turismo.

Pois bem. Volto desse feriado triste e preocupado com certo descaso, pequeno talvez, mas não menos importante, dos que passam por lá em alta temporada.

Primeiro preciso ser sincero: não há muito o que fazer na cidade; não existem bons restaurantes; o único bar interessante na beira da praia é um self service que só funciona de 11:00hs às 15:00hs, deixando espaço apenas para pastelarias fedorentas e supermercados. Apesar de uma praia democrática em que frequentam "chefe e subordinado" (como escutei lá esses dias) e cerveja gelada (sempre!), não gosto das músicas tocadas, os atendimentos de alguns quiosques são grosseiros e, quando calor, é puro mormaço. Mas, acredite, reparei nisso apenas dessa vez que estive lá. E por bons motivos.

Louco para viajar e descansar, quebrar a rotina, tomo o rumo de Guarapari. Chego e me deparo com um formigueiro de pessoas que começam a pegar o resquício de sol que nos resta dos tempos nublados, mas sem chuva, às 7 da manhã. Carros-alto falantes tocando música ruim para quem quisesse e para quem não quisesse ouvir. Por aí tudo bem. O ponto alto de minha surpresa foi outro. Levanto cedo, caminho na praia desde o primeiro dia e começo a observar um comportamento que me enoja: lixos e mais lixos jogados, como se fosse uma calçada qualquer, boiando no mar ou fazendo-me desviar o caminho em plena areia da praia. A ponto de um cidadão abrir um picolé e simplesmente jogar a embalagem ao mar como se fosse uma grande cesta de lixo que, penso eu, aparenta-lhe que ele é o responsável para recolher os restos que tal cidadão produz. Uma amiga minha, em uma de nossas caminhadas, também indignada, chega a recolher três latas de cerveja, em frente a um rapaz que as consumia e jogá-las no tambor de lixo mais próximo. No penúltimo dia não entrei mais no mar. Não exagero. Era muito lixo. Mesmo vendo que no final de sábado, teoricamente último dia de praia cheia, apareceram quatro caminhões e um trator que recolheram à noite, os restos que o mar não abocanhou, senti-me traído.

Ok. Não pretendo fazer demagogia aqui. Algumas vezes me pego não dando exemplo algum de bom comportamento ambiental. O que interrogo é o hábito. Parecia que todos ali estavam alheios a qualquer discussão sobre a conservação de um bem natural, de um lugar que te acolhe em sua beleza e que lhe tem tanto a oferecer.
As pessoas não se envergonham? Não é um esforço tão grande assim. Uma simples sacola pode ser o suficiente para não depredar. Assumo que os moradores também não ajudam. O tempo inteiro mostraram-se complacentes com tal situação. Mas eu queria fazer algo. No entanto, percebi que era impotente, pequeno. A desconstrução de um hábito é algo complexo. Tem que ser feito com muita delicadeza e planejamento. O gesto de minha amiga, talvez por ter tido o efeito de um olhar curioso, era o que me restava pensar como uma saída digna.

Fui embora. Indignado, precisei escrever aqui. Traído, não falarei mais de Guarapari. Não como falava, beirando certa militância. Durante cinco anos desfrutei desse lugar com olhares apaixonados. Vivi momentos deliciosos. Faz parte de minha história. Talvez por isso, esteja tão triste.

Incrível é saber que, por obra do destino, pode ser minha última vez à Praia do Morro. O apartamento que me era emprestado vai ser alugado. Não queria que fosse assim. O que tentarei é preservar minha memória que é algo a meu alcance. Aliás, esta sim é uma ação pequena, é tarefa só minha. Porém, fica minha esperança de que um dia poderei voltar lá e desdizer tudo o que escrevi agora.

quarta-feira, março 24, 2010

Esta é Camille.

Os franceses que me aguardem.
Vou querer saber demais o que é que se dá...


Mistérios
Joyce / Mauricio Maetro

Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo pra te incendiar

Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio pra me levar
Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar

Vida breve, natureza
Quem mandou, coração?

Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo pra te ensinar

terça-feira, março 16, 2010

Uma poesia do dia.
Assisti a ela recitada por Matheus Nachtergaele.
E basta.

Eros e Psique
Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

domingo, março 14, 2010

Aprendi há pouco tempo que o verdadeiro presente é aquele que carrega em si algo de seu.
Aí, ganho um texto. Lido, grifado e estudado.
Quem me deu o fez por amor. Me deu mais um pedaço de si.
O texto é de um Freud sábio, após construir e viver cada etapa de uma vida influenciada pela busca de uma escrita da vida, uma escrita antes inabitável. E uma escrita que influenciou a humanidade em uma dimensão incogitável.
O texto é uma entrevista de 1926 dada ao jornalista americano George Sylvester Viereck, perdida nos arquivos da imprensa dos EUA e publicada em português nos anos recentes.

Conversei com alguns dos grifos.

"Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade";

"O trabalho é minha fortuna"

"O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós. A morte é a companheira do amor. Juntos eles regem o mundo"

"Compreender tudo não é perdoar tudo. A psicanálise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que devemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância para com o mal não é de maneira alguma um corolário do conhecimento"

"A maldade é a vingança do homem contra a sociedade pelas restrições que ela impõe"

Por fim:

" Não, eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores!"

quinta-feira, março 04, 2010

Uma advertência:

"O tempo é essa palavra única em que se depositam as experiências mais diferentes"

Maurice Blanchot

sábado, fevereiro 27, 2010



E tem gente que ainda diz que fotografia não é arte.
Pois é com este registro, de Baz Ratner, que abro os desassossegos de 2010.

A vida é muito mais simples do que achamos que ela pode ser...

domingo, dezembro 06, 2009

Nos meus 29 anos de existência, nunca imaginei que em um domingo estaria sentado, tenso, tomando uma cerveja e assistindo a um jogo de futebol.

Pois bem. Há sempre uma primeira vez. Diante da emoção dessa última rodada do Campeonato Brasileiro, não me contive.

E foi por pouco, muito pouco, que não deu o resultado para o qual torci.
Arrisco em dizer: no final do jogo no Maracanã, os jogadores do Grêmio pareciam comprados.
Penso isso porquê acompanho mais os bastidores do futebol brasileiro que os próprios jogos. E como somos o país mais corrupto do mundo, minhas indagações até que podem ter sentido, principalmente se alinhavadas com a minha frustração de ver o Flamengo campeão.

domingo, novembro 29, 2009

Essa é a nossa educação...

por Laerte.




quinta-feira, outubro 29, 2009

"Minha alma é uma orquestra oculta: não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia".

Fernando Pessoa

sábado, outubro 24, 2009



É embalado por minha primeira aula de fotografia que trago aqui esse belo registro. De Fernando, dos recortes de real que estou sempre à frequentar e cujas fotos sempre parecem ter o que dizer.

Vejo assim: um momento do movimento.
Para mim o melhor e mais singular uso da fotografia.

Tenho certeza de que, a partir de hoje, estarei a descobrir novos mundos...

segunda-feira, outubro 12, 2009

"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser".

Ricardo Reis

domingo, outubro 04, 2009

Por sua excêntrica beleza.
Por seu gesto.
Por sua virtuose.
Por sua interpretação.

Por ela.

Fecharei com este vídeo a sessão de posts sobre música. Não significa que deixarei este assunto livre das minhas divagações. Mas depois de assistir esse vídeo resta-me a reflexão.

Foi daqui, a dica. Um blog de poesia, cotidiano e sensações.

Neste momento, sem fôlego, digo-lhes: para vê-la, sentem-se e se conectem. São seis minutos de êxtase. É como se ela transmitisse em cada palavra e em cada nota a sensação de liberdade em seu mais puro sentido.

Sem mais,

Nina Simone
I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free

sábado, outubro 03, 2009

Um casal sueco, que se conhece em uma universidade. Ambos estudando improvisação em música, juntam-se, tanto no amor quanto no trabalho, e lançam talvez uma das coisas mais originais que escutei nestes últimos tempos.

Casamento perfeito entre ritmo (bateria) e melodia (voz).

Esta música é do segundo álbum deles, The Snake, e se chama "There is No Light". O nome da dupla, também muito criativo, é Wildbirds & Peacedrums.

E o vídeo, que posto aqui, deixa apenas mais emocionante o recado.

quarta-feira, setembro 30, 2009


Sempre gostei de ler pessoas que, ao escreverem, deixam algo no ar.
Como uma nuvem de casas prontas para receberem seus botões.

terça-feira, setembro 29, 2009

Pérola Internética!

domingo, setembro 20, 2009

"Como na música a razão é uma palavra que inúmeras vezes aflige e distorce... limito-me a dizer que um espírito musical anseia por coisas diferentes... melodias escondidas, um loop que seduz, um beat que se cola, um improviso que contagia, um ritmo que dá energia, uma voz que cura..."

Para mim, sempre um prazer falar de música.

Tudo bem. Admito estar um pouco sem inspiração. Posto alguns vídeos, trago dicas daquilo que me toca...
Mas acho tão difícil pôr em palavras o que a música me oferta.

São sensações.

Ontem vi a rouca Martnália cantando ao lado de Madeleine Peyroux com aquela ginga e doçura que só é dela. Imediatamente, ao escutar os primeiros sopros, sou tomado de uma paz. Um sorriso me escapa. E arrepio até o final da canção.

Não há palavras. Não há razão.

E neste post trago a dica
deste blog. De onde tirei o trecho acima. Às vezes ousamos e tomamos emprestado do outro algo que nos põe a dizer. Nele também há pouca coisa escrita, mas sempre novidades e boa música.

Pois é. Um convite às sensações, não?

Aqui vai o meu:

Silas The Magic Car
por Mew

quinta-feira, setembro 10, 2009

"Este ensaio é dedicado ao homem ordinário. Hérói comum. Personagem disseminada. Caminhante inumerável. Invocando, no limiar de meus relatos, o ausente que lhes dá princípio e necessidade, interrogo-me sobre o desejo cujo objeto impossível ele representa. A este oráculo que se confunde com o rumor da história, o que é que pedimos para nos fazer crer ou autorizar-nos a dizer quando lhe dedicamos a escrita que outrora se oferecia em homenagem aos deuses ou às musas inspiradoras?

Este herói anônimo vem de muito longe. É o murmúrio das sociedades. De todo o tempo, anterior aos textos. Nem os espera. Zomba deles. Mas, nas representações escritas, vai progredindo. Pouco a pouco ocupa o centro de nossas cenas científicas. Os projetores abandonaram os atores donos de nomes próprios e de brasões sociais para voltar-se para o coro dos figurantes amontoados dos lados, e depois fixar-se enfim na multidão do público. Sociologização e antropologização da pesquisa privilegiam o anônimo e o cotidiano onde zooms destacam detalhes metonímicos - partes tomadas pelo todo.

Lentamente os representantes que ontem simbolizavam famílias, grupos e ordens, se apagam da cena onde reinavam quando era o tempo do nome. Vem então o número, o da democracia, da cidade grande, das administrações, da cibernética. Trata-se de uma multidão móvel e contínua, densamente aglomerada como pano inconsútil, uma multidão de heróis quantificados que perdem nomes e rostos tornando-se a linguagem móvel de cálculos e racionalidades que não pertencem a ninguém. Rios cifrados da rua".

(Michel de Certeau, em A Invenção do Cotidiano)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Jô, sobre a escrita:

"Ela entra onde você não está"

segunda-feira, setembro 07, 2009

Música: Starstruck
Banda: The Low Frequency in Stereo

Ainda vou construir uma videoteca...




Conheci este garoto nesta semana.
Ele tinha 16 anos quando lançou seu CD. Seu nome: Vinícius. Sua arte: Yoñlu.
Um adolescente que, devorado pelos seus próprios pensamentos, escolhe ir-se.
Seu legado: um álbum versátil, poético, criativo e, ao mesmo tempo, adolescente.
Ele escreveu as letras, criou as melodias e desenhou toda arte do disco.
Um fenômeno.
Soube que lia Kafka aos 12 anos.

Em sua carta de despedida ele diz:

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’.

Que deixemos de lado, neste momento, os porquês e apreciemos sua arte. Esta, incontestável.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Concerto poema-sinfônico

Ontem foi o dia em que, pela segunda vez, pude apreciar um concerto. E posso dizer que me sinto agora um iniciante na cena musical erudita.

Há algum tempo adquiri o livro "O Resto é Ruído" de Alex Ross. Nele, o crítico de música da New Yorker aborda o cenário da composição clássica, com suas histórias e curiosidades de autores como Debussy, Mahler, Strauss e outros, relacionando-os com a música popular e contemporânea. Leio-o aos poucos. Aprendendo e me deliciando.

Para ler o livro, Ross sugere que acompanhemos sua envolvente descrição através de seu
site. Neste você pode acompanhar em áudio as partes as quais cita em seu livro das grandes óperas e composições de desde o início do século XX. Cada dissonante.

Pois bem, ganhei este presente, o concerto, de aniversário ontem. Mais uma prévia do que me aguarda o livro e o que ele oferece. Até mesmo para me fazer entender realmente do que se trata a música erudita.

E foi com uma peça de Richard Strauss - Dom Quixote - que Fábio Mechetti, o regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, me ensinou o que é reger. A emoção de cada instrumento, a intensidade de cada nota era ele quem comandava. Seus movimentos no palco eram como uma dança. Para quem estava na frente ainda pôde observar certos sorrisos que estampava no rosto no momento do concerto.





"Concerto poema-sinfônico" foi o nome que Mechetti deu a esta apresentação. Segundo ele, a obra de Miguel de Cervantes foi uma das que mais lhe marcou, enquanto filosofia de vida. Ele o cita: "A maior loucura que existe é ver o mundo como ele é, e não como deveria ser".

Belíssimo!

Obrigado, Fernando.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Traduzir-se

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Gullar

domingo, agosto 23, 2009








Genial!Lindo!

sábado, agosto 22, 2009

Há pouco tempo atrás mediei uma mesa-redonda sobre a educação inclusiva e a relação professor-aluno na universidade onde trabalho. Apresentei as debatedoras e iniciei a discussão com uma pequena nota introdutória que comentava de forma sucinta o filme "O Homem Elefante" de David Lynch.
Devido a essa nota, fui convidado para realmente fazer um comentário do mesmo filme no Fórum da Criança e do Adolescente da Regional Nordeste de BH. Era a primeira vez que me dispunha a tal atividade. E descobri que se apropriar de um pouco de arte para transmitir uma construção de nosso percurso é delicioso.
Tomado pela alegria do convite e da rica discussão gerada pelo próprio filme e pelo meu comentário, achei que seria bacana trazer para cá um pedaço da nota que me possibilitou essa experiência.
Eis:
"Para introduzir o assunto retomo aqui o filme “O Homem Elefante” de David Lynch. Nele, um rapaz, nos seus 20 e poucos anos, com uma deformação física muito grave (por isso a atribuição do apelido 'homem elefante') é veiculado enquanto uma atração do que conhecemos como Circo dos Horrores em plena Londres do século XIX. Um médico cirurgião o encontra em um dos espetáculos e, tomado com tal deformidade, resolve acolhê-lo no hospital que dirige na cidade inglesa. Lá, depois de um trabalho intenso cujo objetivo era aproximar-se da história daquele “ser”, o então Homem Elefante, passa a ganhar o status de sujeito. Todos passam a enxergá-lo enquanto um perfeito cavalheiro: bons modos, inteligente, educado e respeitoso. Seu sonho era conhecer o Teatro da cidade. Nunca sai às ruas, mas a sociedade passa a ir vê-lo no próprio hospital. Na cena final, em sua primeira ida ao Teatro, o agora John Merrick é aplaudido de pé quando homenageado pela atriz principal da peça que acaba de assistir.
Tomo esta história para pensarmos: tanto ocupando um lugar de quem causa espanto, asco, quanto do lugar de quem causa admiração e surpresa, a curiosidade, no caso do filme, parece atravessar constantemente a relação estabelecida entre o sujeito e o outro. Como uma pessoa tão deformada pode ser um perfeito cavalheiro? E Por quê não?
Essa curiosidade me leva a pensar que são duas formas de se tratar o diferente que nos causa surpresa: no rechaço ou no acolhimento. No acolhimento o sujeito aparece, no rechaço ele é apenas resto, puro objeto do olhar do outro. E é nesse ponto que penso uma analogia possível na relação professor-aluno: há o acolhimento, mas há também o rechaço. Ambos pela curiosidade. E se estivermos a fim de sabermos o que cada sujeito tem a nos oferecer ou a oferecer ao mundo, podemos saber de que forma ensiná-los. Para mim, um caminho possível".

terça-feira, agosto 18, 2009

Há poucos minutos atrás assisti a isto. Uma cena do filme "Não Por Acaso". Vi aqui. Um lugar que sempre visito, com prazer. E é dele que quero brevemente falar. Aliás, movido pela beleza da cena em questão.

Há alguns anos conheci a Dri e poucos contatos tive com ela. Poucos e ótimos, divertidos, como sempre ela é capaz de promover com qualquer um que lhe dirija a palavra.
Tempos depois de algumas sombras de encontros, fui ao seu casamento. Claro, sabia um pouco sobre Fernando e sobre o belo encontro nascido ali. O conheci lá. Melhor: o conheci onde moram. Numa casa inimaginavelmente linda onde o frio se faz presente em pleno verão mineiro. Nesse dia entendi o encontro. Um almoço com amigos. Fui recebido de braços arreganhados com uma lasanha digna de chef. Cerveja, vinho, muito papo, passeio no condomínio e um dia de sorrisos.

No dia do casamento fui embora radiante. Mesmo. Boa música, pessoas fantásticas, lugar paradisíaco e o diferencial: uma demonstração de amor como eu NUNCA antes havia presenciado. Saí tocado. Disse-lhes depois sobre essa sensação, inclusive.
E desde então, ainda com poucos encontros "reais" - mas encontros - passo a acompanhar via blogs, o carinho e o afeto de um pelo outro. Estes continuam irradiantes, presentes e marcantes.

Choro até agora como um menino que sente uma paixão pela primeira vez. É muito simples, Dri. Simples demais. E quando temos a certeza disso, tudo fica mais fácil e mais belo. Como na cena.

Quero dizer que por lapsos de timidez, talvez, não busque por essas companhias por mais vezes quanto gostaria. Mas uma coisa me sinto à vontade para dizer: que vocês, com o dom próprio de cada um, continuem a nos tocar com a simplicidade e o amor que fazem do nosso dia uma inspiração.

sábado, agosto 15, 2009

Junto à máxima de Tom Zé - "se os médicos persistirem, consulte o sintoma" - acrescenta-se a resposta de um taxista que, ao contar-me sobre sua tentativa de achar um remédio que o curasse da "gnorréia" - uma doença de zona segundo ele - admitiu ter dito ao seu médico:

- Vou te receitar esse remédio...
- Mas, doutor, ele não está adiantando nada!
- Quem é o médico aqui? Eu ou você?
- Você... Mas quem é o doente aqui? Eu ou você?

sexta-feira, agosto 14, 2009


quarta-feira, agosto 05, 2009

Adoro quadrinhos.
E Laerte é realmente genial.
Dica de um primo querido, cheguei até o blog dele.

domingo, agosto 02, 2009

Considerando metaforicamente o boneco da imagem do post abaixo como o próprio blog e a lua como o destino de minha incursão a praias do sul da Bahia nas duas últimas semanas (merecidamente após 1 ano e meio de trabalho constante e initerrupto), chego não sem saudade a este espaço que me borda para trazer aqui as imagens que me marcaram neste breve tempo de "suspensão". Digo "suspensão" porque é como se realmente você se deslocasse para tão longe que, como na lua, você conseguisse observar e contemplar com detalhes e tempo suficientes todos seus passos. Nesta viagem sem volta o que recolho pelo caminho é fundamental.

Foram 15 o número de dias que desfrutei de uma paz que a mim parecia inalcançável. E com ela aprendi a manejar minha relação com o tempo, estar atento à poesia que constantemente nos circunda e por uma distância curta a perdemos de vista e, principalmente, a contemplar. Disso, fica como produto as imagens. Do detalhe ao todo. Do próximo ao distante. Das cores. De tudo ao que elas me remetem. Tive a vontade de reuni-las aqui. Ajudado e inspirado nessas duas semanas pela presença de um amigo que possui uma imensa capacidade de recortar uma imagem tão bela e a capturá-la com a naturalidade que a ela é inerente (aliás, tenho a sorte de encontrar pelo caminho pessoas com essa qualidade que admiro) tive uma certeza: quero imergir no mundo da fotografia.

Fico, então, à vontade de me transmitir através delas aqui. Talvez essa seja a proposta.





















domingo, julho 05, 2009




Capa do disco Wait for Me do Moby.

domingo, junho 28, 2009

Mais uma vez, volto ao assunto dos dois posts anteriores.
Apenas para dizer que uma das coisas que fazem parte da minha rotina a dois é assistir ao programa Passagem Para..., do Canal Futura. E essa parte não faço questão de mudar. Pelo contrário, vai muito bem, obrigado.

Pois bem.
Vim aqui para dizer, na verdade, do programa.
Então: é um dos poucos que me faz deitar no sofá por 30 minutos em frente à televisão (os filmes - outro hobby - assisto ou no cinema ou na parede de casa com o projetor que bem foi adquirido já há algum tempo). Suas pautas são as viagens organizadas e conduzidas por um apresentador apaixonado por culturas diferentes e que encanta em sua transmissão. Seu nome: Luis Nashbin. Conheci boa parte da América Latina através do seu olhar. Ele filma, entrevista, apresenta e comenta. Sozinho.

E agora, para alegria dos que o acompanham ele criou um blog. E pelo que tudo indica o cuidado é o mesmo, tanto no que se escreve quanto nas outras coisas que se postam, isso se vê.

Portanto, deixo a dica:
Programa Passagem Para...
De segunda a sexta, às 23:00hs no Canal Futura

Ah! E o blog. Claro!
"O debate de hoje concernido, em particular, o laço sexual, desenrola-se, conforme foi previsto há trinta anos por Lacan, entre rotina e invenção".

Jacques-Alain Miller

Acabei de ler.
Nessas horas eu até chego a achar um pouco estranho essas coincidências.

sábado, junho 27, 2009

"Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você não liga se é usada
Todo carnaval tem seu fim
Todo carnaval tem seu fim
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz"

Veio a mim, há algumas horas, esse pedaço de poesia de Marcelo Camelo.
Porém, descobri que havia acrescentado uma frase que se encaixava, na verdade, em outra estrofe: "Pra que mudar?"
Ela apareceu a mim em meio a devaneios e profusões sobre o viver junto.
A poesia tem essa função, não? De nos ofertar a liberdade de tirarmos dela algum sentido para nós.
Resolvi considerá-la.
Porque dela extrai um sentido fundamental: mudar pode fazer parte sim de uma rotina.

domingo, junho 07, 2009

Apenas para fazer um adendo ao post anterior: foi meu primeiro post com título.
Também - pensei - pudera! Passei a tarde de ontem, durante algumas boas horas, a vasculhar um título para um livro de Psicologia e Direito que minha querida Aline está organizando. Eu e Jô, sempre companheira. Com direito a abrir uma página qualquer de dicionário na busca de inspiração.
Não conseguimos.
a adolescência

Este termo permeou minha semana de várias formas. Através de leituras de alguns textos, no acompanhamento e discussão de um caso na rede onde trabalho, da possível chegada de uma menina de 16 anos no meu consultório e até de um fragmento de idéia pescado numa palestra de Luis Eduardo Soares, sociólogo que admiro muito, sobre o "limite" - conceito que atravessa constantemente a lida com a adolescência - fragmento este que dizia que o limite só é possível quando acompanhado de uma valorização, de um acolhimento.

A questão da adolescência é algo que não está totalmente ao nosso alcance, mas cabe a nós ter o cuidado de escutá-la, dar-lhe voz. Nela está, ao meu ver, os indícios de uma busca desenfreada e às vezes desorganizada de um sujeito por um lugar no mundo.

Philippe Lacadée nos diz:

"Em busca simultânea por tutela e autonomia, o jovem experimenta seu estatuto de sujeito – para o melhor ou para o pior. Ele testa a fronteira entre o fora e o dentro, joga com as interdições sociais, estuda o seu lugar no seio de um mundo onde não se reconhece muito bem. Inapreensível para os outros e para si mesmo, inscreve a sua experiência, freqüentemente indizível, na ambivalência ou na provocação. Os limites simbólicos na relação com os outros e com o mundo se desenham onde ele experimenta a carência para dizer tudo de seu ser".

E sempre penso que podemos nós psicólogos, educadores, pais, avós, irmãos mais velhos, padrinhos... , em nossa presença, servir-nos a eles, na tentativa de que a construção desse lugar os coloque a se inscreverem do ponto do amor.

Nunca deixei de acreditar nisso.


domingo, maio 17, 2009

Fernanda Montenegro em entrevista à revista Bravo:

Os existencialistas teorizaram bastante sobre a liberdade humana. Diziam que "o homem será antes de mais nada o que deseja ser". Você concorda?
Concordo. Somos os senhores de nossos atos, de nossas opções. "Deus ajuda quem cedo madruga", ensina o ditado popular. Se o homem não inventar o seu próprio destino, Deus não irá interferir.

Você crê em Deus?
Ora acredito, ora desacredito. Ninguém me demonstrou a presença de Deus. Tampouco demonstrou o contrário. Eu talvez cultive uma fé imensa em meio à dúvida. Por outro lado, creio plenamente no acaso.

O homem nasce livre, mas o acaso tem a última palavra, dizia Simone.
Exato. O acaso se põe acima de qualquer teoria. É o grande mistério e a principal razão para a misericórdia. os homens deveriam se irmanar justamente porque se sujeitam, todos, às leis insondáveis do acaso. O que me fez entrar na Rádio MEC com 15 anos? O que me fez superar a timidez juvenil e concorrer às vagas de locutora e atriz? Foi o acaso, em parte. Havia a minha vontade e havia o imponderável. Se tomasse outro rumo naquela ocasião, em quem iria me transformar? Não sei. Sei apenas que hoje me encontro onde sempre quis. Vivi sem tempos mortos.

Isso, depois dela dizer o quanto Simone de Beauvoir - papel que interpreta em um monólogo que aguardo com muita expectativa chegar em B.H. - a influenciou em sua visão de mundo na década de 40 quando do lançamento de "O Segundo Sexo". Sábias da vida. Ambas.

quinta-feira, maio 14, 2009

Belo videoclip

segunda-feira, maio 11, 2009

Trabalhando em um programa do Estado, localizado dentro das comunidades de Belo Horizonte e região metropolitana, que tem como objetivo dar visibilidade ao que jovens destes locais, entre seus 12 e 24 anos, gostam de fazer ou se sentem curiosos a tal, me deparo com o grafite.

Me percebo envolvido com uma arte que antes para mim, era privilégios para poucos.
Talvez até apenas para eles próprios.

Mas quando comocei a cuidar de tratar a dar o olhar devido, notei que sempre merecia um lugar um pouco maior.

A idéia se concretizou, com muito gosto, na hora em que um oficineiro, parceiro bacana, trouxe a proposta de se pintar uma rua inteira de muros, portas de garagem e paredes de bar dentro de um aglomerado do bairro Alto Vera Cruz. Convocando vários desses jovens. Alguns que um pouco apareciam, outros mais escondidos por aí.

Certeiro.
Aos que "deram as caras", algo pôde se ofertar. Como isso:







sábado, maio 02, 2009

"A política é a continuação da guerra por outros meios"

Michel Foucault

quarta-feira, abril 29, 2009

"A distância e o esforço são diretamente proporcionais ao espaço localizado entre as mãos e as prateleiras".
É o que Cristiane Barreto, psicanalista e minha supervisora, escreve em seu texto sobre responsabilidade, juventude, psicanálise e cidade, ao dizer sobre o "traço hiper-moderno" cuja maior característica é a "satisfação imediata que impera no encontro dos sujeitos e dos objetos de consumo" na nossa contemporaneidade, diferentemente de épocas passadas em que reinavam os ideais.
Certeiro e instigante, acredito.

sexta-feira, abril 10, 2009

Não me canso de forma alguma de falar de música.

E o que trago aqui dessa vez é uma canção: bela, irônica e tão sincera (como são as crianças) que não poderia escapar de ser destacada neste blog. Fui extremamente tocado pela poesia da letra e da melodia. Como há tempos não havia sido.

Pois, escutemos.

Head Rolls Off
(Frightened Rabbit)

Jesus is just a spanish boy's name.
How come one man got so much fame?
To any me, it's pointless to anybody
That doesn't have faith
Give me the cloth and I'll wipe my face.

When it's all gone
Something carries on
And it's not morbid talk
Just the nature´s had enough of you
When my blood stops,
Someone else's will not.
When my head rolls off,
Someone else's will turn.
And while I'm alive, I'll make tiny changes to earth.

So you can burn me
Cause we'll all be the same, the same way
Dirt in someone's eyes cried down the drain
I believe in a house in the clouds
And God's got his dead friends 'round
He's painted all the walls red
To remind them they're all dead
And you know

When it's all gone
Something carries on
And it's not morbid talk
Just the nature's had enough of you.
When my blood stops
Someone else's will not.
When my head rolls off
Someone else's will turn.
You can mark my words, I'll make changes to earth
While I'm alive, I'll make tiny changes to earth
Tiny changes to earth
Tiny changes to earth

quinta-feira, abril 09, 2009





Descoberto aqui.

domingo, março 01, 2009

Costumo passar por blogs dos quais as freqüências de postagem são diversas. Tem uns que de três em três anos são atualizados. Outros, o espaço de tempo entre um post e outro varia de poucas horas a meses, até ano. Alguns não são atualizados desde a primeira vez em que o autor escreveu. Talvez desistiu de continuar. Mesmo assim não encerrou sua conta. Desses guardo um certo carinho e, ao mesmo tempo, uma esperança de que vou encontrar alguma coisa a cada dia que clico no endereço.

Devido a isso fui passear por este aqui. Espantei-me ao ver que seu início se deu em 2003. O meu caso se enquadra na segunda opção, talvez. Em 2007 postei apenas uma foto. Mas não sem sentido. Das pessoas que passaram por aqui, sinto saudades. Mas às vezes a passagem não se registra, penso eu. É o que faço, aliás. Passo por alguns. Em outros deixo meu registro. É uma conversa. E a conversa nem sempre necessita de um registro.

E talvez seja essa conversa, com ou sem registro, que me move a publicar sempre um novo post e a ler outros blogs.

sábado, janeiro 31, 2009

Descoberta II: "Quem sabe faz ao vivo"

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Descobri uma coisa bacana esses dias: livre é aquele que não tem medo do ridículo.

domingo, dezembro 21, 2008



Talvez o maior dos presentes que a Bossa Nova possa ter recebido pelos seus 50 anos de vida tenha sido o novo disco do Tom Zé "Estudando a Bossa - Nordeste Plaza".

Tom Zé nos declama a irreverência escondida debaixo de acordes foscos, misturando ironia e admiração, referenciada pela bossa nova e cuja receita vêm acrescentada sempre de sua própria porção, o que dá um outro "tom" ao legado de João e cia.

Destaque para a música "Síncope Jãobim" onde, numa jogada fabulosa melodia-letra, ele pergunta diante de uma dissonante, "isso não é desafinado?", no que vem a resposta (na nota e na poesia): "é o bim bão do joão"

É para se deliciar.

sábado, novembro 15, 2008

Tenho tido contato - por osmose, como dizem - com o filósofo esloveno Slavoj Zizek. Ele está lançando o livro A Visão em Paralaxe onde ele aborda ontologia, ciência e política. Esta última, enquanto conceito, tem me tomado como nunca. Em uma pequena conversa no mais recente número da revista Piauí, ele destaca:

"Defendi que Chávez incentivava algum tipo de auto-organização nas favelas venezuelanas e, portanto, de discussão política. Isso é positivo, porque os governos de esquerda não fazem política, eles administram a situação social. A política virou café descafeinado. Assim como tiraram o café do café, tiraram a política da política, e ficou só a administração rala".



sábado, outubro 11, 2008

Show

Voz: Ná Ozzeti
Composição: Luiz Tatit/Fábio Tagliaferi


É só uma voz
A minha voz
Sem coral
Cadê o coral

Cantava aqui
Estava aqui
Cadê o pessoal

A música avança
Lança
Em mim
Um gelo geral, solidão

É só uma vez
A minha vez
De fazer
O solo final

Eu entro aqui
Eu entro em mim
Voz principal

Solei, solei
E um coro virtual
Eu ouvia anunciando sem dó
Sou eu, e só

E assim eu refiz meu caminho
Com voz e com muita emoção
O coro virtual eu troquei
Por um vigoroso violão

E quem sonhou
Sofreu, chorou
Pode fazer de uma só voz
Um show

Pode não ser
Um mega show
Um festival com multidões
Mas quem chorou
Já tem na voz
Um show

domingo, setembro 21, 2008

"Se a concorrência, o 'livre mercado', a soma dos pequenos prazeres e os muros que nos protegem do desejo dos fracos são o alfa e o ômega de toda existência, coletiva ou privada, o animal humano não vale um tostão furado".

Alain Badiou

domingo, agosto 03, 2008

Um pedaço de Godard à luz (e ao som) de Nouvelle Vague.

E é sim um videoclip. Sensacional.