quinta-feira, setembro 10, 2009

"Este ensaio é dedicado ao homem ordinário. Hérói comum. Personagem disseminada. Caminhante inumerável. Invocando, no limiar de meus relatos, o ausente que lhes dá princípio e necessidade, interrogo-me sobre o desejo cujo objeto impossível ele representa. A este oráculo que se confunde com o rumor da história, o que é que pedimos para nos fazer crer ou autorizar-nos a dizer quando lhe dedicamos a escrita que outrora se oferecia em homenagem aos deuses ou às musas inspiradoras?

Este herói anônimo vem de muito longe. É o murmúrio das sociedades. De todo o tempo, anterior aos textos. Nem os espera. Zomba deles. Mas, nas representações escritas, vai progredindo. Pouco a pouco ocupa o centro de nossas cenas científicas. Os projetores abandonaram os atores donos de nomes próprios e de brasões sociais para voltar-se para o coro dos figurantes amontoados dos lados, e depois fixar-se enfim na multidão do público. Sociologização e antropologização da pesquisa privilegiam o anônimo e o cotidiano onde zooms destacam detalhes metonímicos - partes tomadas pelo todo.

Lentamente os representantes que ontem simbolizavam famílias, grupos e ordens, se apagam da cena onde reinavam quando era o tempo do nome. Vem então o número, o da democracia, da cidade grande, das administrações, da cibernética. Trata-se de uma multidão móvel e contínua, densamente aglomerada como pano inconsútil, uma multidão de heróis quantificados que perdem nomes e rostos tornando-se a linguagem móvel de cálculos e racionalidades que não pertencem a ninguém. Rios cifrados da rua".

(Michel de Certeau, em A Invenção do Cotidiano)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Jô, sobre a escrita:

"Ela entra onde você não está"

segunda-feira, setembro 07, 2009

Música: Starstruck
Banda: The Low Frequency in Stereo

Ainda vou construir uma videoteca...




Conheci este garoto nesta semana.
Ele tinha 16 anos quando lançou seu CD. Seu nome: Vinícius. Sua arte: Yoñlu.
Um adolescente que, devorado pelos seus próprios pensamentos, escolhe ir-se.
Seu legado: um álbum versátil, poético, criativo e, ao mesmo tempo, adolescente.
Ele escreveu as letras, criou as melodias e desenhou toda arte do disco.
Um fenômeno.
Soube que lia Kafka aos 12 anos.

Em sua carta de despedida ele diz:

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’.

Que deixemos de lado, neste momento, os porquês e apreciemos sua arte. Esta, incontestável.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Concerto poema-sinfônico

Ontem foi o dia em que, pela segunda vez, pude apreciar um concerto. E posso dizer que me sinto agora um iniciante na cena musical erudita.

Há algum tempo adquiri o livro "O Resto é Ruído" de Alex Ross. Nele, o crítico de música da New Yorker aborda o cenário da composição clássica, com suas histórias e curiosidades de autores como Debussy, Mahler, Strauss e outros, relacionando-os com a música popular e contemporânea. Leio-o aos poucos. Aprendendo e me deliciando.

Para ler o livro, Ross sugere que acompanhemos sua envolvente descrição através de seu
site. Neste você pode acompanhar em áudio as partes as quais cita em seu livro das grandes óperas e composições de desde o início do século XX. Cada dissonante.

Pois bem, ganhei este presente, o concerto, de aniversário ontem. Mais uma prévia do que me aguarda o livro e o que ele oferece. Até mesmo para me fazer entender realmente do que se trata a música erudita.

E foi com uma peça de Richard Strauss - Dom Quixote - que Fábio Mechetti, o regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, me ensinou o que é reger. A emoção de cada instrumento, a intensidade de cada nota era ele quem comandava. Seus movimentos no palco eram como uma dança. Para quem estava na frente ainda pôde observar certos sorrisos que estampava no rosto no momento do concerto.





"Concerto poema-sinfônico" foi o nome que Mechetti deu a esta apresentação. Segundo ele, a obra de Miguel de Cervantes foi uma das que mais lhe marcou, enquanto filosofia de vida. Ele o cita: "A maior loucura que existe é ver o mundo como ele é, e não como deveria ser".

Belíssimo!

Obrigado, Fernando.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Traduzir-se

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Gullar

domingo, agosto 23, 2009








Genial!Lindo!

sábado, agosto 22, 2009

Há pouco tempo atrás mediei uma mesa-redonda sobre a educação inclusiva e a relação professor-aluno na universidade onde trabalho. Apresentei as debatedoras e iniciei a discussão com uma pequena nota introdutória que comentava de forma sucinta o filme "O Homem Elefante" de David Lynch.
Devido a essa nota, fui convidado para realmente fazer um comentário do mesmo filme no Fórum da Criança e do Adolescente da Regional Nordeste de BH. Era a primeira vez que me dispunha a tal atividade. E descobri que se apropriar de um pouco de arte para transmitir uma construção de nosso percurso é delicioso.
Tomado pela alegria do convite e da rica discussão gerada pelo próprio filme e pelo meu comentário, achei que seria bacana trazer para cá um pedaço da nota que me possibilitou essa experiência.
Eis:
"Para introduzir o assunto retomo aqui o filme “O Homem Elefante” de David Lynch. Nele, um rapaz, nos seus 20 e poucos anos, com uma deformação física muito grave (por isso a atribuição do apelido 'homem elefante') é veiculado enquanto uma atração do que conhecemos como Circo dos Horrores em plena Londres do século XIX. Um médico cirurgião o encontra em um dos espetáculos e, tomado com tal deformidade, resolve acolhê-lo no hospital que dirige na cidade inglesa. Lá, depois de um trabalho intenso cujo objetivo era aproximar-se da história daquele “ser”, o então Homem Elefante, passa a ganhar o status de sujeito. Todos passam a enxergá-lo enquanto um perfeito cavalheiro: bons modos, inteligente, educado e respeitoso. Seu sonho era conhecer o Teatro da cidade. Nunca sai às ruas, mas a sociedade passa a ir vê-lo no próprio hospital. Na cena final, em sua primeira ida ao Teatro, o agora John Merrick é aplaudido de pé quando homenageado pela atriz principal da peça que acaba de assistir.
Tomo esta história para pensarmos: tanto ocupando um lugar de quem causa espanto, asco, quanto do lugar de quem causa admiração e surpresa, a curiosidade, no caso do filme, parece atravessar constantemente a relação estabelecida entre o sujeito e o outro. Como uma pessoa tão deformada pode ser um perfeito cavalheiro? E Por quê não?
Essa curiosidade me leva a pensar que são duas formas de se tratar o diferente que nos causa surpresa: no rechaço ou no acolhimento. No acolhimento o sujeito aparece, no rechaço ele é apenas resto, puro objeto do olhar do outro. E é nesse ponto que penso uma analogia possível na relação professor-aluno: há o acolhimento, mas há também o rechaço. Ambos pela curiosidade. E se estivermos a fim de sabermos o que cada sujeito tem a nos oferecer ou a oferecer ao mundo, podemos saber de que forma ensiná-los. Para mim, um caminho possível".

terça-feira, agosto 18, 2009

Há poucos minutos atrás assisti a isto. Uma cena do filme "Não Por Acaso". Vi aqui. Um lugar que sempre visito, com prazer. E é dele que quero brevemente falar. Aliás, movido pela beleza da cena em questão.

Há alguns anos conheci a Dri e poucos contatos tive com ela. Poucos e ótimos, divertidos, como sempre ela é capaz de promover com qualquer um que lhe dirija a palavra.
Tempos depois de algumas sombras de encontros, fui ao seu casamento. Claro, sabia um pouco sobre Fernando e sobre o belo encontro nascido ali. O conheci lá. Melhor: o conheci onde moram. Numa casa inimaginavelmente linda onde o frio se faz presente em pleno verão mineiro. Nesse dia entendi o encontro. Um almoço com amigos. Fui recebido de braços arreganhados com uma lasanha digna de chef. Cerveja, vinho, muito papo, passeio no condomínio e um dia de sorrisos.

No dia do casamento fui embora radiante. Mesmo. Boa música, pessoas fantásticas, lugar paradisíaco e o diferencial: uma demonstração de amor como eu NUNCA antes havia presenciado. Saí tocado. Disse-lhes depois sobre essa sensação, inclusive.
E desde então, ainda com poucos encontros "reais" - mas encontros - passo a acompanhar via blogs, o carinho e o afeto de um pelo outro. Estes continuam irradiantes, presentes e marcantes.

Choro até agora como um menino que sente uma paixão pela primeira vez. É muito simples, Dri. Simples demais. E quando temos a certeza disso, tudo fica mais fácil e mais belo. Como na cena.

Quero dizer que por lapsos de timidez, talvez, não busque por essas companhias por mais vezes quanto gostaria. Mas uma coisa me sinto à vontade para dizer: que vocês, com o dom próprio de cada um, continuem a nos tocar com a simplicidade e o amor que fazem do nosso dia uma inspiração.

sábado, agosto 15, 2009

Junto à máxima de Tom Zé - "se os médicos persistirem, consulte o sintoma" - acrescenta-se a resposta de um taxista que, ao contar-me sobre sua tentativa de achar um remédio que o curasse da "gnorréia" - uma doença de zona segundo ele - admitiu ter dito ao seu médico:

- Vou te receitar esse remédio...
- Mas, doutor, ele não está adiantando nada!
- Quem é o médico aqui? Eu ou você?
- Você... Mas quem é o doente aqui? Eu ou você?

sexta-feira, agosto 14, 2009


quarta-feira, agosto 05, 2009

Adoro quadrinhos.
E Laerte é realmente genial.
Dica de um primo querido, cheguei até o blog dele.

domingo, agosto 02, 2009

Considerando metaforicamente o boneco da imagem do post abaixo como o próprio blog e a lua como o destino de minha incursão a praias do sul da Bahia nas duas últimas semanas (merecidamente após 1 ano e meio de trabalho constante e initerrupto), chego não sem saudade a este espaço que me borda para trazer aqui as imagens que me marcaram neste breve tempo de "suspensão". Digo "suspensão" porque é como se realmente você se deslocasse para tão longe que, como na lua, você conseguisse observar e contemplar com detalhes e tempo suficientes todos seus passos. Nesta viagem sem volta o que recolho pelo caminho é fundamental.

Foram 15 o número de dias que desfrutei de uma paz que a mim parecia inalcançável. E com ela aprendi a manejar minha relação com o tempo, estar atento à poesia que constantemente nos circunda e por uma distância curta a perdemos de vista e, principalmente, a contemplar. Disso, fica como produto as imagens. Do detalhe ao todo. Do próximo ao distante. Das cores. De tudo ao que elas me remetem. Tive a vontade de reuni-las aqui. Ajudado e inspirado nessas duas semanas pela presença de um amigo que possui uma imensa capacidade de recortar uma imagem tão bela e a capturá-la com a naturalidade que a ela é inerente (aliás, tenho a sorte de encontrar pelo caminho pessoas com essa qualidade que admiro) tive uma certeza: quero imergir no mundo da fotografia.

Fico, então, à vontade de me transmitir através delas aqui. Talvez essa seja a proposta.





















domingo, julho 05, 2009




Capa do disco Wait for Me do Moby.

domingo, junho 28, 2009

Mais uma vez, volto ao assunto dos dois posts anteriores.
Apenas para dizer que uma das coisas que fazem parte da minha rotina a dois é assistir ao programa Passagem Para..., do Canal Futura. E essa parte não faço questão de mudar. Pelo contrário, vai muito bem, obrigado.

Pois bem.
Vim aqui para dizer, na verdade, do programa.
Então: é um dos poucos que me faz deitar no sofá por 30 minutos em frente à televisão (os filmes - outro hobby - assisto ou no cinema ou na parede de casa com o projetor que bem foi adquirido já há algum tempo). Suas pautas são as viagens organizadas e conduzidas por um apresentador apaixonado por culturas diferentes e que encanta em sua transmissão. Seu nome: Luis Nashbin. Conheci boa parte da América Latina através do seu olhar. Ele filma, entrevista, apresenta e comenta. Sozinho.

E agora, para alegria dos que o acompanham ele criou um blog. E pelo que tudo indica o cuidado é o mesmo, tanto no que se escreve quanto nas outras coisas que se postam, isso se vê.

Portanto, deixo a dica:
Programa Passagem Para...
De segunda a sexta, às 23:00hs no Canal Futura

Ah! E o blog. Claro!
"O debate de hoje concernido, em particular, o laço sexual, desenrola-se, conforme foi previsto há trinta anos por Lacan, entre rotina e invenção".

Jacques-Alain Miller

Acabei de ler.
Nessas horas eu até chego a achar um pouco estranho essas coincidências.

sábado, junho 27, 2009

"Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você não liga se é usada
Todo carnaval tem seu fim
Todo carnaval tem seu fim
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz"

Veio a mim, há algumas horas, esse pedaço de poesia de Marcelo Camelo.
Porém, descobri que havia acrescentado uma frase que se encaixava, na verdade, em outra estrofe: "Pra que mudar?"
Ela apareceu a mim em meio a devaneios e profusões sobre o viver junto.
A poesia tem essa função, não? De nos ofertar a liberdade de tirarmos dela algum sentido para nós.
Resolvi considerá-la.
Porque dela extrai um sentido fundamental: mudar pode fazer parte sim de uma rotina.

domingo, junho 07, 2009

Apenas para fazer um adendo ao post anterior: foi meu primeiro post com título.
Também - pensei - pudera! Passei a tarde de ontem, durante algumas boas horas, a vasculhar um título para um livro de Psicologia e Direito que minha querida Aline está organizando. Eu e Jô, sempre companheira. Com direito a abrir uma página qualquer de dicionário na busca de inspiração.
Não conseguimos.
a adolescência

Este termo permeou minha semana de várias formas. Através de leituras de alguns textos, no acompanhamento e discussão de um caso na rede onde trabalho, da possível chegada de uma menina de 16 anos no meu consultório e até de um fragmento de idéia pescado numa palestra de Luis Eduardo Soares, sociólogo que admiro muito, sobre o "limite" - conceito que atravessa constantemente a lida com a adolescência - fragmento este que dizia que o limite só é possível quando acompanhado de uma valorização, de um acolhimento.

A questão da adolescência é algo que não está totalmente ao nosso alcance, mas cabe a nós ter o cuidado de escutá-la, dar-lhe voz. Nela está, ao meu ver, os indícios de uma busca desenfreada e às vezes desorganizada de um sujeito por um lugar no mundo.

Philippe Lacadée nos diz:

"Em busca simultânea por tutela e autonomia, o jovem experimenta seu estatuto de sujeito – para o melhor ou para o pior. Ele testa a fronteira entre o fora e o dentro, joga com as interdições sociais, estuda o seu lugar no seio de um mundo onde não se reconhece muito bem. Inapreensível para os outros e para si mesmo, inscreve a sua experiência, freqüentemente indizível, na ambivalência ou na provocação. Os limites simbólicos na relação com os outros e com o mundo se desenham onde ele experimenta a carência para dizer tudo de seu ser".

E sempre penso que podemos nós psicólogos, educadores, pais, avós, irmãos mais velhos, padrinhos... , em nossa presença, servir-nos a eles, na tentativa de que a construção desse lugar os coloque a se inscreverem do ponto do amor.

Nunca deixei de acreditar nisso.


domingo, maio 17, 2009

Fernanda Montenegro em entrevista à revista Bravo:

Os existencialistas teorizaram bastante sobre a liberdade humana. Diziam que "o homem será antes de mais nada o que deseja ser". Você concorda?
Concordo. Somos os senhores de nossos atos, de nossas opções. "Deus ajuda quem cedo madruga", ensina o ditado popular. Se o homem não inventar o seu próprio destino, Deus não irá interferir.

Você crê em Deus?
Ora acredito, ora desacredito. Ninguém me demonstrou a presença de Deus. Tampouco demonstrou o contrário. Eu talvez cultive uma fé imensa em meio à dúvida. Por outro lado, creio plenamente no acaso.

O homem nasce livre, mas o acaso tem a última palavra, dizia Simone.
Exato. O acaso se põe acima de qualquer teoria. É o grande mistério e a principal razão para a misericórdia. os homens deveriam se irmanar justamente porque se sujeitam, todos, às leis insondáveis do acaso. O que me fez entrar na Rádio MEC com 15 anos? O que me fez superar a timidez juvenil e concorrer às vagas de locutora e atriz? Foi o acaso, em parte. Havia a minha vontade e havia o imponderável. Se tomasse outro rumo naquela ocasião, em quem iria me transformar? Não sei. Sei apenas que hoje me encontro onde sempre quis. Vivi sem tempos mortos.

Isso, depois dela dizer o quanto Simone de Beauvoir - papel que interpreta em um monólogo que aguardo com muita expectativa chegar em B.H. - a influenciou em sua visão de mundo na década de 40 quando do lançamento de "O Segundo Sexo". Sábias da vida. Ambas.

quinta-feira, maio 14, 2009

Belo videoclip

segunda-feira, maio 11, 2009

Trabalhando em um programa do Estado, localizado dentro das comunidades de Belo Horizonte e região metropolitana, que tem como objetivo dar visibilidade ao que jovens destes locais, entre seus 12 e 24 anos, gostam de fazer ou se sentem curiosos a tal, me deparo com o grafite.

Me percebo envolvido com uma arte que antes para mim, era privilégios para poucos.
Talvez até apenas para eles próprios.

Mas quando comocei a cuidar de tratar a dar o olhar devido, notei que sempre merecia um lugar um pouco maior.

A idéia se concretizou, com muito gosto, na hora em que um oficineiro, parceiro bacana, trouxe a proposta de se pintar uma rua inteira de muros, portas de garagem e paredes de bar dentro de um aglomerado do bairro Alto Vera Cruz. Convocando vários desses jovens. Alguns que um pouco apareciam, outros mais escondidos por aí.

Certeiro.
Aos que "deram as caras", algo pôde se ofertar. Como isso:







sábado, maio 02, 2009

"A política é a continuação da guerra por outros meios"

Michel Foucault

quarta-feira, abril 29, 2009

"A distância e o esforço são diretamente proporcionais ao espaço localizado entre as mãos e as prateleiras".
É o que Cristiane Barreto, psicanalista e minha supervisora, escreve em seu texto sobre responsabilidade, juventude, psicanálise e cidade, ao dizer sobre o "traço hiper-moderno" cuja maior característica é a "satisfação imediata que impera no encontro dos sujeitos e dos objetos de consumo" na nossa contemporaneidade, diferentemente de épocas passadas em que reinavam os ideais.
Certeiro e instigante, acredito.

sexta-feira, abril 10, 2009

Não me canso de forma alguma de falar de música.

E o que trago aqui dessa vez é uma canção: bela, irônica e tão sincera (como são as crianças) que não poderia escapar de ser destacada neste blog. Fui extremamente tocado pela poesia da letra e da melodia. Como há tempos não havia sido.

Pois, escutemos.

Head Rolls Off
(Frightened Rabbit)

Jesus is just a spanish boy's name.
How come one man got so much fame?
To any me, it's pointless to anybody
That doesn't have faith
Give me the cloth and I'll wipe my face.

When it's all gone
Something carries on
And it's not morbid talk
Just the nature´s had enough of you
When my blood stops,
Someone else's will not.
When my head rolls off,
Someone else's will turn.
And while I'm alive, I'll make tiny changes to earth.

So you can burn me
Cause we'll all be the same, the same way
Dirt in someone's eyes cried down the drain
I believe in a house in the clouds
And God's got his dead friends 'round
He's painted all the walls red
To remind them they're all dead
And you know

When it's all gone
Something carries on
And it's not morbid talk
Just the nature's had enough of you.
When my blood stops
Someone else's will not.
When my head rolls off
Someone else's will turn.
You can mark my words, I'll make changes to earth
While I'm alive, I'll make tiny changes to earth
Tiny changes to earth
Tiny changes to earth

quinta-feira, abril 09, 2009





Descoberto aqui.

domingo, março 01, 2009

Costumo passar por blogs dos quais as freqüências de postagem são diversas. Tem uns que de três em três anos são atualizados. Outros, o espaço de tempo entre um post e outro varia de poucas horas a meses, até ano. Alguns não são atualizados desde a primeira vez em que o autor escreveu. Talvez desistiu de continuar. Mesmo assim não encerrou sua conta. Desses guardo um certo carinho e, ao mesmo tempo, uma esperança de que vou encontrar alguma coisa a cada dia que clico no endereço.

Devido a isso fui passear por este aqui. Espantei-me ao ver que seu início se deu em 2003. O meu caso se enquadra na segunda opção, talvez. Em 2007 postei apenas uma foto. Mas não sem sentido. Das pessoas que passaram por aqui, sinto saudades. Mas às vezes a passagem não se registra, penso eu. É o que faço, aliás. Passo por alguns. Em outros deixo meu registro. É uma conversa. E a conversa nem sempre necessita de um registro.

E talvez seja essa conversa, com ou sem registro, que me move a publicar sempre um novo post e a ler outros blogs.

sábado, janeiro 31, 2009

Descoberta II: "Quem sabe faz ao vivo"

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Descobri uma coisa bacana esses dias: livre é aquele que não tem medo do ridículo.

domingo, dezembro 21, 2008



Talvez o maior dos presentes que a Bossa Nova possa ter recebido pelos seus 50 anos de vida tenha sido o novo disco do Tom Zé "Estudando a Bossa - Nordeste Plaza".

Tom Zé nos declama a irreverência escondida debaixo de acordes foscos, misturando ironia e admiração, referenciada pela bossa nova e cuja receita vêm acrescentada sempre de sua própria porção, o que dá um outro "tom" ao legado de João e cia.

Destaque para a música "Síncope Jãobim" onde, numa jogada fabulosa melodia-letra, ele pergunta diante de uma dissonante, "isso não é desafinado?", no que vem a resposta (na nota e na poesia): "é o bim bão do joão"

É para se deliciar.

sábado, novembro 15, 2008

Tenho tido contato - por osmose, como dizem - com o filósofo esloveno Slavoj Zizek. Ele está lançando o livro A Visão em Paralaxe onde ele aborda ontologia, ciência e política. Esta última, enquanto conceito, tem me tomado como nunca. Em uma pequena conversa no mais recente número da revista Piauí, ele destaca:

"Defendi que Chávez incentivava algum tipo de auto-organização nas favelas venezuelanas e, portanto, de discussão política. Isso é positivo, porque os governos de esquerda não fazem política, eles administram a situação social. A política virou café descafeinado. Assim como tiraram o café do café, tiraram a política da política, e ficou só a administração rala".



sábado, outubro 11, 2008

Show

Voz: Ná Ozzeti
Composição: Luiz Tatit/Fábio Tagliaferi


É só uma voz
A minha voz
Sem coral
Cadê o coral

Cantava aqui
Estava aqui
Cadê o pessoal

A música avança
Lança
Em mim
Um gelo geral, solidão

É só uma vez
A minha vez
De fazer
O solo final

Eu entro aqui
Eu entro em mim
Voz principal

Solei, solei
E um coro virtual
Eu ouvia anunciando sem dó
Sou eu, e só

E assim eu refiz meu caminho
Com voz e com muita emoção
O coro virtual eu troquei
Por um vigoroso violão

E quem sonhou
Sofreu, chorou
Pode fazer de uma só voz
Um show

Pode não ser
Um mega show
Um festival com multidões
Mas quem chorou
Já tem na voz
Um show

domingo, setembro 21, 2008

"Se a concorrência, o 'livre mercado', a soma dos pequenos prazeres e os muros que nos protegem do desejo dos fracos são o alfa e o ômega de toda existência, coletiva ou privada, o animal humano não vale um tostão furado".

Alain Badiou

domingo, agosto 03, 2008

Um pedaço de Godard à luz (e ao som) de Nouvelle Vague.

E é sim um videoclip. Sensacional.

segunda-feira, junho 30, 2008

Em uma coisa os orientais têm me impressionado muito. Sempre parece que eles querem dizer algo através do silêncio, do olhar, do gesto.

sábado, junho 14, 2008

Dos maiores petardos oferecidos pelo Youtube até o presente momento: José Saramago e Fernando Meireles logo após sessão do filme "Ensaio Sobre a Cegueira" o qual o segundo dirigiu baseado na obra literária do primeiro.

quinta-feira, junho 05, 2008

Na cidade de Joinville, em Santa Catarina, um homem vestido de Batman (!) invade uma reunião da Câmara de Vereadores no momento em que os legisladores municipais aprovavam uma lei que aumentava em 36% os seus salários.

Mudou-se a sociedade. Mudaram-se as formas de se fazer lei e mudaram-se as formas de se fazer política. Enfim, mudou-se a forma de se criar resistência.

Quarta-feira última, em pleno show de Arnaldo Antunes, uma cena que vivifica o "que se dane o outro" da nossa época do descartável: poucas pessoas que, ao entrar em atraso para o show, quando chegaram para ocupar seus devidos assentos pagos encontraram outras pessoas que haviam sentado com a certeza de que aqueles donos não poderiam aparecer mais. Engano. No momento da luta pelo território, a platéia, em grande número e em uníssono, entoaram belos "quem foi ao ar perdeu o lugar", "no chão! no chão!", "o show é às nove, não é às dez". Não houve quem tirasse os larápios de plantão por nada. O show começou e os já não donos mais desapareceram em meio à multidão julgadora.

Gosto de acreditar que um batman como o catarinense poderia oferecer algo de resistência, nem que fosse uma simples interrogação, dentre a norma, nesse caso, do objeto-território de pertencimento nômade, se o sujeito fosse fã do Arnaldo.

Que voltem à ativa nossos super-heróis.

sábado, maio 31, 2008

As palavras:

piscam
fincam
desnorteiam
criam
são volúteis
comutam
dispersam
fecundam


À "A Vida Secreta das Palavras"
filme de Isabel Coixete.

Uma ode ao estar consigo mesmo. De várias maneiras.

terça-feira, maio 20, 2008

Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, maio 11, 2008

"Tudo que você vê em mim está em você. Se você quiser ver um assassino cruel, é isso que verá. Se me vê como um irmão, é isso que serei. Tudo depende de quanto amor você tem".

Charles Manson, famoso assassino norte-americano obcecado por Beatles que, no final da década de 60, dentre outros crimes, ordenou a morte da atriz Sharon Tate, esposa de Roman Polanski, grávida de 8 meses, em entrevista à revista Rolling Stone, pouco antes de seu julgamento em 1969.
A Marchinha Psicótica do Dr. Soup
(Júpiter Maçã)

Antes de nada eu gostaria de explicar
Segue agora um mosaico de imagens mil
Chamado "A Marchinha Psicótica do Doctor Soup"

A noiva do arlequim e o malabarista
chegaram juntos com a fada e o inspetor nazista
Chacretes e coristas em teatro de revista
Bem-vindos a orgia niilista
Ai que gostoso, que delícia, muito mais paulista
Anunciados o homem-bala e a mulher canhão
A musa do pinóquio era bolchevista
A mais formosa melindrosa pega na suíça
Suíça pra ela era pegar rapaz

E pra provar minha querida, o meu amor tão radical
Eu escrevi essa marchinha para tocar no carnaval
O milênio passaria, e a marchinha seguiria sendo cult, underground...
Mas até 2020 seria revisitada e virar hit nacional...

O timbre do caetano é super bacana
Não pense que eu estou copiando, que eu sou banana
Peguei emprestado pras artes da semana
Abrindo as portas da percepção
Um tal de Aldous Huxley de cara ficou doidão
Tomando toda a solução.
Doidão é apelido para a paranóia
Toda jibóia, toda bóia, toda clarabóia
Querida, que tal baixar o televisor?
Deitado no divã com Woody Allen
Eu tive um sonho com aquele estranho, velho alien
Que era cabeça Bob Dylan, barba Ginsberg, Allen

E pra provar minha querida, o meu amor tão radical
Eu escrevi essa marchinha para tocar no carnaval
O milênio passaria, e a marchinha seguiria sendo cult, underground...
Mas até 2020 seria revisitada e virar hit nacional...

quinta-feira, maio 08, 2008

Clarices






segunda-feira, abril 14, 2008

"Os métodos de identificação dos sujeitos no mundo contemporâneo, em que o Outro é inconsistente, prescindem cada vez mais da palavra. Decorrente da precariedade constitutiva, a busca de um complemento identificatório para o sujeito poderia ser pensada tanto na vertente simbólica, como complemento significante, quanto referida à materialidade do gozo. Outra vertente poderia estar no nível do traço, anterior à representação do sujeito no nível significante, em que a identificação se daria a partir das pistas, das pegadas, ou até mesmo do que cai de um corpo".

Ram Mandil, resumo do seu texto: A psicanálise e os modos contemporâneos de identificação

sábado, abril 12, 2008

Sempre gostei de "listas dos melhores do ano".
Através delas tive bons encontros.

Quando era adolescente, viciado em videoclipes e (sempre!!) em música, eu e um primo constituíamos todo ano tops 20, 50, até 200 do que assistíamos e gravávamos. Apresentávamos eu a minha lista pra ele, ele a dele pra mim. Numa solidão compartilhada e divertida. Passamos anos a fio conduzidos por essa pequena paixão. Tenho pastas e pastas guardadas com todas as listas que fiz.

Tive, há alguns meses, a oportunidade de voltar ao passado. Descobri, ao formatar meu computador, que adquiri a versão mais nova, acredito eu, do Windows Media Player. No primeiro dia de uso me deparo com um fato extasiante:você pode dar nota (em estrelas, como acontece nas boas críticas especializadas) para cada música que você estiver escutando. E o mais legal: ao final, você consegue saber a nota média da lista de músicas que você escolheu para reproduzir. Por exemplo: eu seleciono um disco. Enquanto escuto cada música atribuo a nota clicando no número de estrelas desejado. Ao final das músicas, assim que o programa parar a reprodução você, sem clicar, coloca a seta do mouse em um espaço localizado acima da lista de músicas. Nesse momento ele informa o número médio de estrelas obtido por aquela lista, ou seja, qual a nota do disco.
Me deliciei com isso. Agora, sei as notas de cada disco que escuto. Sem pastas. Tecnologicamente mais viável.

Com muito prazer, revivendo uma paixão (com a oportunidade de não deixá-la mais restrita), apresento a minha lista dos melhores de 2007 (com o número de estrelas especificado ao lado):

01 - The Reminder (Feist) 5,00
02 - In Rainbows (Radiohead) 4,75
03 - Era Vulgaris (Queens of the Stone Age) 4,75
04 - Year Zero (Nine Inch Nails) 4,75
05 - Fome de Tudo (Nação Zumbi) 4,75
06 - Duos (Lanny Gordin) 4,75
07 - Futurismo (Kassin +2) 4,75
08 - Amor e Caos (Ana Cañas) 4,75
09 - Sound of Silver (LCD Soundsystem) 4,50
10 - Sky Blue Sky (Wilco) 4,50
11 - Favourite Worst Nightmare (Arctic Monkeys) 4,50
12 - Comicopera (Robert Wyatt) 4,50
13 - The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (Nick Cave & Warren Ellis) 4,50
14 - Myth Takes (!!!) 4,50
15 - Hissing Fauna, Are You the Destroyer? (Of Montreal) 4,50
16 - Heavy International (The Eternals) 4,50
17 - Neon Bible (Arcade Fire) 4,25
18 - Memory Almost Full (Paul McCartney) 4,25
19 - Cease to Begin (Band of Horses) 4,25
20 - Ga Ga Ga Ga Ga (Spoon) 4,25
21 - Because of the Times (Kings of Leon) 4,25
22 - The World Has Made Me the Man of My Dreams (Me´shell Ndegeocello) 4,25
23 - Songs III: Bird on the Water (Marissa Nadler)
24 - Cookies (1990s) 4,25
25 - Onde Brilhem Os Olhos Seus (Fernanda Takai) 4,00
26 - Volta (Bjork) 4,00
27 - Pocket Symphony (Air) 4,00
28 - The Black and White Album (The Hives) 4,00
29 - Unkle Dysfunktional (Happy Mondays) 4,00
30 - White Chalk (PJ Harvey) 4,00
31 - Icky Thumb (White Stripes) 4,00
32 - Young Modern (Silverchair) 4,00
33 - Under the Blacklight (Rilo Kiley) 4,00
34 - Graduation (Kanye West) 4,00
35 - New Magnetic Wonder (The Apples in Stereo) 4,00
36 - Kala (M.I.A.) 4,00
37 - 5:55 (Charlotte Gainsbourg) 4,00
38 - Satolep Sambatown (Vitor Ramil e Marcos Suzano) 4,00
39 - Os Ritmistas (Os Ritmistas) 4,00
40 - Curses (Future of the Left) 4,00
41 - Boxer (The National) 4,00
42 - Vanguart (Vanguart) 3,75
43 - Darkel (Darkel) 3,75
44 - Fino Coletivo (Fino Coletivo) 3,75
45 - Zeitgeist (Smashing Pumpkins) 3,75
46 - Raising Sand (Robert Plant & Alison Krauss) 3,75
47 - Down III: Over the Under (Down) 3,75
48 - Panic Prevention (Jamie T) 3,75
49 - Marina de La Riva (Marina de La Riva) 3,75
50 - Into the Wild (Eddie Vedder) 3,75

sábado, março 29, 2008

Navegando pela página da Uol, encontrei essa manchete na coluna de Humor do site:
"16 tipos de analista que você corre o risco de encontrar pela frente"
Claro que minha curiosidade foi implacável nesse momento.
O mais engraçado foi ler o nome da matéria para a qual os quadrinhos foram criados: "Como escolher o seu analista".
Minto. O mais engraçado ainda foi quando entrei no site da tal revista, para a qual foi escrita a matéria, com a expectativa de achar algo interessante. Nesse momento entendi o porque do nome Gloss.

segunda-feira, março 17, 2008



Jacaré: grupo italiano que canta samba, baião, fado... Conheci hoje numa noite casual de cerveja e amigos.
Maravilhoso e altamente recomendável.
Tive a oportunidade de presenciar o que seria Tereza Salgueiro cantando Retrato em Branco e Preto a la Elis.


É de aplaudir de pé.

domingo, março 16, 2008

Às vezes são esses pequenos dizeres que realmente dizem alguma coisa. Somando à Elis, meu pai:


"Tem que escolher o sapato do tamanho do pé, e depois troca o de couro por um de cromo alemão"

sábado, março 15, 2008

Elis Regina era intensa. É a marca dela. O que é bonito de se ver na sua participação no Programa Ensaio da TV Cultura. Lá ela canta o que vive. Ou vive o que canta, caso podemos dizer assim. Aproveito para fazer algumas daquelas palavras dela, minhas:

"As pessoas de quem eu gosto são aquelas com quem consigo conversar olhando no olho. Sem precisar ter a guarda levantada".

Assim seja, Elis.



quarta-feira, dezembro 12, 2007


quinta-feira, dezembro 07, 2006

Visual novo..
Idéia nova...

Novos desejos...

sexta-feira, março 31, 2006

Clarice Mãe

"29 de setembro de 1965

P. ansioso: Quero que o Paulo me espere! Eu não quero que ele se vista antes de mim!
- Já disse que você não tem nada a ver com o Paulo: faça o que tem de fazer, você é você, ele é ele.
- Quer dizer que eu faço o que eu quero?
- É.
- Da vida?
- É
- Por quê?
- Por que todo mundo faz.
- Até os cachorros?
- É."

(Clarice Lispector)

terça-feira, março 14, 2006

Escutei isso ontem do professor numa aula de "Teoria da Justiça Distributiva e Política do Bem Estar":

"basta que o mal exista, para que a gente se distancie do paraíso"

terça-feira, fevereiro 07, 2006

É, Du...
Eu prefiro dizer que o ser humano é singular e não egoísta.

sábado, dezembro 03, 2005

Ira-pé

"Deus sabe que, entre gatos e pombos, eu sou francamente pela primeira espécie. Acho os pombos um povo horrivelmente burguês, com o seu ar bem-disposto e contente da vida, sem falar na baixeza de certas características de sua condição, qual seja a de, eventualmente, se entredevorarem quando engaiolados."

(De Pombos e de Gatos, Vinícius de Morais)

sábado, outubro 22, 2005

"Metade Deus. Metade Diabo. Na exata medida, como é a vida. Num único espaço e tempo estão os dois juntos porque radicalmente diferentes e necessários um ao outro: não há vida sem morte, prazer sem dor, sim sem não, princípio sem fim, agudo sem grave, veloz sem lento, grande sem pequeno.
Deus sem o Diabo."

Herbert de Souza

segunda-feira, outubro 17, 2005

Quero BH. quero natação, quero praia, quero paz, quero cama, quero amigos, quero cerveja, quero barulho, quero sinal, quero asfalto, quero assaltos...

segunda-feira, junho 27, 2005

Estou cada vez mais maravilhado com o poder das palavras. Juntando o meu trabalho, que tem o objetivo de analisar significados e desmembrar discursos, estou adquirindo um hábito tardio de ler. Ler em demasia. Ler com o olhar crítico, detalhista e fulgás, abosrvendo cada imagem que o texto pode proporcionar. E cada letra, com sua vida própria, diz de algo que me serpenteia no emaranhado de significantes que envolve cada sujeito. É nela que me entendo, exponho e analiso. Na escuta, acabo por me encontrar desatinadamente seguindo o caminho que abre a palavra para o rumo de uma ligação quase química, quase orgânica, constituinte do nosso ser. Ela pode ser bela o bastante para traduzir sentimentos e articular idéias. Inveja tenho daqueles que, com absoluto louvor, são capazes de utilizar com exatidão o valor da palavra.
Desligo-me da imagem dada por um instante para saborear o mistério do que é não dito pelo olhar. Enverodo-me pelo imaginário até muitas vezes desafogando fantasmas. A palavra fornece encontros. E encontros tácitos, falantes de uma troca nunca buscada. E é singular, único. A experiência é única. Valho-me de Garcia Marques, Drummond, Guimarães, Calligares, Lacan, Clarice(s), Drexler, Kátia B, Amarante, Dri, Jo e vai...
É um mundo sem limites.

quinta-feira, junho 02, 2005

by Raquel

Quem vê cara, não vê porra nenhuma!!

domingo, maio 15, 2005

Vou robar isso de um post (www.clacastanha.blogger.com.br) já que fecha com chave de ouro o meu post anterior.
Do Amor (Moska)
"Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento, relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é uma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto,para mim,que o amor se manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebe-lo? Como deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos da uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação, o amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor e quando,diante de seu labirinto decidimos caminhar em linha reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio,com inicio,meio e fim. Não. Não podemos subestimar o amor. Não podemos castra-lo. O amor não é orgânico. Não é o meu coração que sente o amor, é a minha alma que o saboreia. Não e no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém- nascidas. O amor brilha, como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida. O amor grita seu silêncio e nos da sua música. Nós dançamos sua felicidade um delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devora-lo. O amor eu não conheço. E é exatamente por isso que eu desejo e me jogo no seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita. Ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto " .
Obrigado, Clarice.
No meio de toda essa sofisticação da escrita (não que eu não goste, eu acho que se souber fazer fica poético), deparo-me com um belíssimo relato sobre o amor, entranhado em um discurso curto e grosso. Refiro-me ao livro "O Terceiro Travesseiro" de Nelson Luiz de Carvalho. Sobre um pretexto de querer ler um "romance", cai em minhas mãos uma história que suga tudo que me restou de um coração criança. É por esse viés simples da palavra nua e crua que me abalei emocionalmente.
Baseado numa história que realmente aconteceu, brota-se aquele amor que completa, típico do cliché "completamente apaixonado". Mas vem de uma construção, de um gostar além. Cresce quando menos se espera e gera a admiração, o aprender e o compartilhar. Dois amigos nutrem o amor um pelo outro de uma forma inexplicavelmente pura. É isso e pronto. "Ninguém pode me deter". E é por causa desse amor rebelde que os obstáculos são transpostos, o que dá mais força ao casal. Os personagens encantam. "Me sentia o cara mais feliz do mundo". Assim, desse jeito. Simples, puro, encantador.
"Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama- se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera."
(Arnaldo Jabor)
É isso.

sábado, maio 07, 2005

Ansiedade é a pressa de quem não sabe onde vai

quarta-feira, abril 20, 2005

"... em todo projeto grupal (...) cada sujeito está perseguindo, isolada e coletivamente a eterna questão dos entido. Em outras palavras, a ação grupal deve cobrir um vazio, ela deve ser doadora de sentido, livrando o indivíduo e o grupo de um desespero impossível de suportar."

(Castro e Araújo)

Minha homenagem à turma que caminha com um projeto (Irapé), antes enclausurado no imaginário, hoje alimentando sonhos, desviando e criando perspectivas e fazendo diferença onde o lugar de uma escuta inexistia.

domingo, dezembro 19, 2004

"E Estamos Conversados"
Arnaldo Antunes

"Eu não acho mais graça nenhuma nesse ruído constante que fazem as falas das pessoas falando, cochichando e reclamando, que eles querem mesmo é reclamar, como uma risada na minha orelha, ou como uma abelha, ou qualquer outra coisa pentelha, sobre as vidas alheias, ou como elas são feias, ou como estão cheias de tanto esconderem segredos que todo mundo já sabe, ou se não sabe desconfia.
Eu não vou mais ficar ouvindo distraido eles falarem deles e do que eles fariam se fosse com eles e o que eles não fazem de jeito nenhum, como se interessasse a qualquer um.
Eles são: As pessoas. As pessoas todas, fora os mudos. Se eles querem falar de mim, de nós, de nós dois, falem longe da minha janela, por favor, se for para falar do meu amor.
Eu agora só escuto rádio, vitrola, gravador, campainha, telefone, secretária eletrônica eu não ouço nunca mais, pelo menos por enquanto.
Quem quiser papo comigo tem que calar a boca enquanto eu fecho o bico.
E estamos conversados."

terça-feira, novembro 30, 2004

Recebi uma citação de Lya Luft por e-mail e faço questão de postá-la, pois, diz, não há quem negue, de todos que sabem que desejam, mas não se permitem...

"Se alguém me amar agora, não será por um belo corpo que fatalmente irá mudar, mas por isso que sou hoje sem disfarces. Nenhum esplendoroso corpo jovem, malhado me ameaça: meu território é outro" Lya Luft

terça-feira, novembro 23, 2004

Postando em outro blog, palavras de um amigo, resolvi aproveitar a deixa e frisá-lo também por aqui com essas outras e não menos importantes e pertinentes palavras...

Desilusão

Me acho impuro, em meu olhar de quintessência
Envolto em atitudes superficiais e maduras
De erros eternos e de vã eloquência
Em lamentos e em tangentes loucuras

Tudo que eu desejo é o nada
A desvinculação da carne que sente
Dores pungentes e a alma torturada
Pelo vislumbre hediondo do sempre

Me acho nulo, por ser humano
Condenado a nunca saber
Alma-diçoado ao não me estender
Nesse belo mundo mundano

E a existir, perdido em dúvidas imortais
A ser mortal e entender meu finito ser
Adorando nossos deuses ininteligíveis e afonais
Em seu estranho e magnífico jogo chamado Viver

(H. R. Mundum Jr.)

sábado, setembro 11, 2004

Dedico essa canção (especificamente na voz de Nara Leão) para um anjo na terra

Maria Joana
(Siidney Miller)

Não faz feitiço quem não tem um terreiro
Nem batucada quem não tem um pandeiro
Não vive bem quem nunca teve dinheiro
Nem tem casa pra morar
Não cai na roda quem tem perna bamba
Não é de nada quem não é de samba
Não tem valor quem vive de muamba
Pra não ter que trabalhar
Eu vou procurar um jeito de não padecer
Porque eu não vou deixar a vida sem viver
Mas acontece que a Maria Joana
Acha que é pobre, mas nasceu pra bacana
Mora comigo, mesmo assim não me engana
Ela pensa em me deixar
Já decidiu que vai vencer na vida
Saiu de casa toda colorida
Levou dinheiro pra comprar comida
Mas não sei se vai voltar
Eu vou perguntar: Joana, o que aconteceu?
Dinheiro não faz você mais rica do que eu.

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

"I wanna be bigger, stronger, drive a faster car,
To take me anywhere in seconds,
To take me anywhere I wanna go,
And drive around a faster car,
I will settle for nothing less,
I will settle for nothing less.

I wanna be bigger, stronger, drive a faster car,
At the touch of a button,
I can go anywhere I wanna go,
And drive around my faster car,
I will settle for nothing less,
I will settle for nothing less.

I Think I want to change my attitude.
I think I want to change my oxygen.
I think I want to change my air,
My amorous fear, I wanna choke.

I wanna be bigger, stronger, drive a faster car,
To take me anywhere in seconds, To take me anywhere I wanna go,
And drive around my faster car,
I will settle for nothing less,
I will settle for nothing less.

I think I need to change my attitude,
I think I want to change my oxygen.
I think I want to change my air,
My amorous fear, I wanna choke.

Bigger, better.
Bigger and better.
Bigger and better.
Bigger, stronger, drive a faster car,
At the touch of a button,
I can go anywhere I wanna go..."

(Coldplay)

quinta-feira, dezembro 04, 2003

"Allan: I love the rain - it washes memories off the sidewalk of life."

Tinha que roubar essa frase do seu blog e destacá-la de alguma forma, já que vc tirou os comments.
Valeu...

segunda-feira, dezembro 01, 2003

"Separar-se da posição de objeto de gozo do Outro é um real duro que esse sujeito enfrenta no trabalho da análise".

(Cristina Drummond - Psicanalista)